Cuidados e rotina

Cachorro com calor (e gato também): sinais de alerta e como refrescar

Cachorro com calor ofega, baba e procura chão frio; no gato, boca aberta já é alerta. Veja os sinais de insolação, como refrescar e os primeiros socorros.

Publicado em 16 min de leitura

Cachorro pequeno de pelo branco e caramelo bebendo água fresca numa tigela de inox sobre a grama

Resposta rápida

Cachorro com calor ofega muito, baba, fica sem energia e procura chão frio; no gato, qualquer respiração de boca aberta já é sinal de alerta. Para refrescar, garanta sombra, água fresca à vontade, ventilador ou ar-condicionado e passeios só bem cedo ou à noite. Ofegância que não passa, gengiva seca ou de cor alterada, vômito, cambaleio ou convulsão indicam insolação: molhe o corpo com água fresca (nunca gelada) e vá ao veterinário na hora.

Em resumo

  • Cães se refrescam principalmente ofegando, porque quase não suam; em gato, respirar de boca aberta já é sinal anormal.
  • O passeio é o maior gatilho: em um estudo com mais de 900 mil cães no Reino Unido, 74% das insolações com causa registrada vieram de exercício, a maioria depois de caminhadas.
  • Raças de focinho curto, cães grandes, idosos, obesos e pets com doença cardíaca ou respiratória correm mais risco.
  • Nunca deixe o pet no carro estacionado: num estudo com um carro escuro parado ao sol, a temperatura interna subiu em média 22 °C em uma hora, e deixar a janela entreaberta não freou o aquecimento.
  • Na suspeita de insolação, use água fresca (não gelada) e ventilador, não cubra com toalha molhada e vá ao veterinário mesmo que ele pareça melhorar.

Cachorro com calor ofega muito, baba, fica sem energia e procura o chão mais frio da casa. No gato, os sinais são mais discretos, e respirar de boca aberta já é motivo de alerta. Na maior parte dos dias quentes, o básico resolve: sombra, água fresca sempre à mão, ambiente ventilado e passeios só no começo da manhã ou à noite.

O problema começa quando o desconforto vira insolação (o nome popular da hipertermia causada pelo calor), uma emergência que pode lesar órgãos em pouco tempo. E ela não acontece só no carro fechado. Num estudo com mais de 900 mil cães atendidos em clínicas do Reino Unido, o principal gatilho foi o exercício, e a maioria desses casos veio depois de uma simples caminhada.

Neste guia você vai aprender a diferenciar o calor do dia a dia de uma emergência, quem corre mais risco, como passear e refrescar cães e gatos em casa e o que fazer (e o que evitar) nos primeiros minutos de uma insolação. Ele faz parte da nossa série de cuidados e rotina, que começa no guia do tutor de primeira viagem.

Como saber se o cachorro está com calor (e quando virou emergência)

Cachorro quase não sua. As glândulas de suor parecidas com as nossas ficam só nas almofadas das patas, e a principal forma de ele perder calor é ofegando: o ar entra e sai rápido, a umidade da boca e das vias respiratórias evapora e leva calor embora. Por isso os dias abafados, quentes e úmidos pesam tanto, e por isso qualquer coisa que atrapalhe a respiração (focinho curto, obesidade, focinheira) aumenta o risco. Esse e outros fatos sobre o corpo do cão estão em curiosidades sobre cachorros.

Os sinais costumam aparecer em escada. Use a tabela para saber em que degrau o seu cachorro está:

FaseO que você vêO que fazer
Desconforto com o calorOfega mais que o normal, procura sombra e chão frio, deita esticado, bebe mais água, perde a vontade de brincarRefrescar o ambiente, oferecer água, suspender passeios e brincadeiras
Alerta (estresse térmico)Ofegância intensa que não diminui com descanso na sombra, baba excessiva, coração e respiração acelerados, fraqueza, recusa a andarParar tudo, levar para lugar fresco, molhar com água fresca e ligar para o veterinário
Emergência (insolação)Gengiva seca ou pegajosa, de cor alterada (arroxeada ou azulada, por exemplo) ou com manchas roxas; vômito, diarreia (às vezes com sangue), cambaleio, desorientação, apatia profunda, desmaio ou convulsãoPrimeiros socorros e veterinário imediatamente

Os sinais de emergência reúnem as listas da VCA Animal Hospitals, da ASPCA e da Universidade Tufts. Em números, a VCA considera anormal a temperatura corporal acima de 39,4 °C, associa valores acima de cerca de 41 °C à insolação e coloca a faixa de 41,2 °C a 42,7 °C como crítica para falência de órgãos. Essa temperatura é medida no reto e exige prática: se você não tem termômetro ou não sabe medir, não perca tempo com isso. Os sinais da tabela bastam para agir.

Gato com calor: sinais mais discretos (e por que ofegar é grave)

O gato também só tem glândulas de suor nas patas, mas o comportamento dele é outro: ele não sai para correr no sol e costuma procurar sozinho o canto mais fresco. Por isso, segundo a Cummings School of Veterinary Medicine, da Universidade Tufts, a insolação é rara em gatos. Rara não quer dizer impossível, e o alerta mais importante é este: em gatos, qualquer respiração de boca aberta ou ofegante é anormal. Se o gato estiver ofegante, muito prostrado, sem conseguir andar ou sem tolerar esforço (basta um desses sinais), ele precisa ser visto por um veterinário imediatamente.

Antes disso, os sinais de desconforto são sutis: o gato fica inquieto, troca de lugar o tempo todo, deita esticado no piso do banheiro, na pia ou atrás da porta, e passa o dia mais parado. As situações de risco no Brasil costumam ser as mesmas:

  • apartamento todo fechado enquanto o tutor está fora, em dia de calor forte;
  • quarto, área de serviço ou varanda envidraçada sem ventilação, onde ele fica preso sem querer;
  • caixa de transporte no sol ou dentro do carro;
  • gatos de cara achatada, como o persa, que segundo a ASPCA não conseguem ofegar com a mesma eficiência e são mais suscetíveis à insolação (veja como é cada um em raças de gato);
  • gatos idosos, obesos ou com doença cardíaca ou respiratória.

Gato com calor também desidrata, e gato já bebe pouca água por natureza. Os truques de como fazer o gato beber água valem em dobro no verão.

Quem corre mais risco no calor

Todo pet pode passar mal, mas alguns grupos pedem atenção redobrada:

  • Raças de focinho curto (braquicefálicas): pug, bulldog inglês, bulldog francês, boxer, shih tzu e lhasa apso, entre outras. A VCA explica que, nessas raças, os sinais de insolação podem surgir com temperatura e umidade só moderadamente altas. O guia de raças de cachorro para apartamento tem uma seção só sobre o calor nos cães de focinho achatado.
  • Cães grandes, jovens e muito ativos: no estudo britânico de Hall, Carter e O’Neill (2020), cães com 10 kg ou mais tiveram mais que o dobro da chance de insolação por exercício do que os menores de 10 kg, e cães jovens e machos também apareceram com mais risco. É o cachorro que não sabe a hora de parar de buscar a bolinha.
  • Idosos, obesos e pets com doença cardíaca ou respiratória: a ASPCA recomenda mantê-los o máximo possível em ambientes com ar-condicionado nos dias quentes. No estudo britânico, cães com 12 anos ou mais e os de focinho curto foram os que mais tiveram insolação só por ficar no calor, sem exercício.
  • Cães de focinheira: a VCA lembra que a focinheira limita a capacidade de ofegar.
  • Cães de quintal: ficar no quintal sem sombra ou sem água num dia quente está entre as causas comuns citadas pela VCA, assim como a casinha abafada.

No mesmo estudo, estas foram as raças com maior chance de insolação por exercício, comparadas ao labrador (o chow chow liderou o ranking):

RaçaChance comparada ao labrador
Chow chowcerca de 7 vezes maior
Bulldog inglêscerca de 3,7 vezes
Bulldog francêscerca de 3 vezes
Greyhoundcerca de 2,1 vezes
Springer spaniel inglêscerca de 1,9 vez
Cavalier king charles spanielcerca de 1,7 vez
Staffordshire bull terriercerca de 1,6 vez

Vira-lata, labrador ou qualquer outro cão que não está na tabela também pode ter insolação. A lista só mostra onde o cuidado precisa começar mais cedo.

O passeio é o maior gatilho de insolação (e não só o carro)

Esse é o dado que mais surpreende os tutores. O estudo publicado em 2020 na revista Animals analisou os prontuários de 905.543 cães atendidos em clínicas do Reino Unido em 2016 e encontrou 1.259 episódios de insolação. Entre os casos com causa registrada, 74,2% vieram de exercício, 12,9% de simplesmente ficar no calor e 5,2% de confinamento em veículo. E, dos episódios de exercício com a atividade descrita, 67,5% aconteceram depois de uma caminhada, à frente de corrida ou bicicleta (17,6%) e de brincadeiras (13,8%).

Os autores concluem que, no Reino Unido, o exercício no calor afeta e mata mais cães do que o carro fechado. Se isso acontece num país de verão ameno, o recado para o verão brasileiro é ainda mais forte: o passeio precisa mudar quando o termômetro sobe.

Como passear com segurança nos dias quentes:

  1. Mude o horário. Durante a onda de calor de fevereiro de 2025 no Rio, o presidente do CRMV-RJ recomendou passear só das 6h às 8h da manhã e à noite. A Universidade Tufts orienta evitar caminhadas longas no pico de calor, entre 11h e 14h. No verão brasileiro, vale estender essa janela: do fim da manhã ao fim da tarde, o melhor lugar para ele é dentro de casa.
  2. Faça o teste do chão. Encoste a palma da mão no asfalto ou na calçada por alguns segundos. Se incomodar você, incomoda ele: as almofadas das patas podem queimar, e o corpo do cachorro, perto do chão, esquenta rápido, alerta a ASPCA. Lambedura constante das patas depois do passeio pode ser sinal de irritação, como explicamos em por que o cachorro lambe as patas.
  3. Prefira grama, terra e sombra. Rotas arborizadas e parques fazem muita diferença.
  4. Leve água e um pote dobrável, e faça pausas na sombra.
  5. Diminua a intensidade. Corrida, bicicleta e sessões longas de bolinha ficam para os dias frescos.
  6. Pare ao primeiro sinal. Cachorro que fica para trás, deita no caminho ou ofega sem parar está pedindo para voltar.
  7. Troque o passeio longo por atividade em casa nos dias mais quentes: farejar petiscos escondidos, brinquedos recheáveis e treinos curtos cansam a cabeça sem esquentar o corpo.

Um detalhe importante: insolação por exercício pode acontecer mesmo quando o dia não parece tão quente. A VCA lembra que cães agitados ou exercitados demais correm risco mesmo com temperatura e umidade que não parecem altas, principalmente em lugares pouco ventilados.

Carro estacionado: por que nem cinco minutos

O carro esquenta muito mais rápido do que a gente imagina. Num estudo publicado na revista Pediatrics em 2005, pesquisadores mediram a temperatura dentro de um sedã escuro estacionado ao sol, em 16 dias de céu limpo, com temperatura externa entre 22 °C e 36 °C:

  • a temperatura interna subiu em média cerca de 1,8 °C a cada 5 minutos;
  • 80% do aumento aconteceu nos primeiros 30 minutos;
  • em uma hora, o aumento médio foi de cerca de 22 °C;
  • mesmo no dia mais ameno, o interior chegou a cerca de 47 °C;
  • nos dois dias em que os pesquisadores testaram as janelas abertas cerca de 4 cm, isso não diminuiu o ritmo de aquecimento nem a temperatura máxima.

O estudo foi feito pensando em crianças, mas a física é a mesma para um cachorro ou um gato, que dependem de ofegar num ar cada vez mais quente. A VCA aponta o carro com ventilação inadequada como a causa mais comum de insolação e lembra que, nele, a temperatura corporal do cão pode subir muito rápido, em minutos. No levantamento britânico, o carro ficou atrás do exercício em número de casos, mas os autores destacam que qualquer cão pode ter insolação num carro quente, e os de focinho curto correm risco especial.

A regra é simples: não deixe o pet no carro estacionado, nem com a janela entreaberta, nem na sombra, nem “só cinco minutos”. Na estrada, mantenha o ar-condicionado ligado, faça paradas na sombra e nunca deixe a caixa de transporte do gato pegando sol pela janela. Para o restante das regras da viagem, veja viajar com cachorro ou gato. E se vir um animal preso num carro ao sol, procure o responsável no estabelecimento e, se não encontrar, ligue para a Polícia Militar (190).

Como refrescar o cachorro com calor em casa e no quintal

A maior parte da prevenção acontece em casa, com coisas simples:

  • Água fresca o dia todo, em mais de um pote, trocada várias vezes. A ASPCA lembra que os pets desidratam rápido no tempo quente ou úmido. Alguns cubos de gelo no pote ajudam a manter a água fresca.
  • Sombra de verdade. A sombra muda de lugar com o sol: a varanda que é fresca de manhã pode virar forno à tarde. Confira ao longo do dia.
  • Ventilador ou ar-condicionado. São recomendações da Universidade Tufts, que também pede para não deixar o cachorro na caixa de transporte num lugar com luz forte constante (perto de uma janela ensolarada, por exemplo).
  • Chão frio. Piso de cerâmica, um pano úmido para ele deitar em cima ou um tapete refrescante. O importante é ele poder escolher: deitar sobre algo fresco, sim; ficar coberto por toalha molhada, não.
  • Água no corpo, com moderação. Molhar patas, barriga e peito com água fresca alivia. Piscininha rasa no quintal só com supervisão, e depois de piscina ou mar, enxágue o pelo com água doce para tirar cloro e sal, como orienta a ASPCA. Banho comum continua no ritmo normal e com secagem completa, como explicamos em de quanto em quanto tempo dar banho no cachorro.
  • Picolé de fruta. O CRMV-RJ recomenda cubos de gelo e frutas congeladas como refresco seguro. Use só as frutas permitidas, sem sementes e em pequenas porções: a lista está em frutas que cachorro pode comer.
  • Pelo escovado, não raspado. Escovar com frequência tira o subpelo solto, o que importa muito em cães de pelo duplo, como o spitz alemão e o golden retriever. Raspar, não: a ASPCA explica que as camadas do pelo protegem contra o superaquecimento e a queimadura solar, e só libera aparar os pelos mais longos.
  • Protetor solar só se for próprio para animais, alerta a ASPCA. Cães de pele clara e pelo ralo merecem essa conversa com o veterinário.
  • Casinha no lugar certo: na sombra, ventilada e longe de parede que pega sol à tarde.

E para o gato

  • Espalhe potes de água pela casa e considere uma fonte; a comida úmida também ajuda na hidratação.
  • Deixe portas internas abertas para ele chegar ao cômodo mais fresco, e feche cortinas e persianas nas horas de sol.
  • Ventilador ajuda, desde que ele possa sair da frente do vento quando quiser.
  • Escove com mais frequência que o normal: segundo a ASPCA, isso ajuda a prevenir problemas causados pelo calor excessivo.
  • No verão, a gente abre mais as janelas. Sem tela de proteção, o risco de queda aumenta, e a ASPCA orienta manter fechadas as janelas e portas que não têm tela.

Outros pets também sofrem no calor, às vezes até mais. Coelhos, porquinhos-da-índia e aves precisam de sombra e ventilação o tempo todo: veja os cuidados em coelho de estimação e no guia de animais de estimação além de cães e gatos.

Primeiros socorros: o que fazer na suspeita de insolação

Insolação é emergência médica. Os primeiros minutos contam, mas o atendimento veterinário é insubstituível. Faça assim:

  1. Interrompa tudo e leve o pet para um lugar fresco, na sombra, ventilado ou com ar-condicionado.
  2. Ligue para o veterinário ou para uma clínica 24 horas e já se prepare para sair. A Universidade Tufts é clara: qualquer atraso para buscar atendimento deve ser evitado.
  3. Molhe o corpo com água fresca, em temperatura ambiente, nunca gelada. A VCA indica derramar a água sobre a cabeça, a barriga, as axilas e as patas. Faça isso por pouco tempo, enquanto organiza a ida.
  4. Coloque-o no vento. Borrifar água e posicionar o pet na frente de um ventilador ou do ar-condicionado favorece a perda de calor. No trajeto, deixe o ar do carro ligado.
  5. Ofereça água, sem forçar. Se ele estiver desorientado ou sonolento, não coloque água na boca à força.
  6. Vá ao veterinário mesmo que ele pareça melhor. A VCA explica que alguns pets têm lesões de órgãos ou complicações que aparecem depois. Na clínica, o tratamento costuma incluir soro na veia, oxigênio e monitoramento da temperatura.

O que não fazer:

  • Gelo, bolsa de gelo ou água gelada. A VCA diz que bolsas de gelo não são mais recomendadas, e a Tufts alerta que a hipotermia de rebote (quando a temperatura cai demais depois do resfriamento) é muito comum, por isso a água deve estar em temperatura ambiente e o banho deve ser breve. Até no hospital o resfriamento é interrompido quando a temperatura chega a 39,4 °C, justamente para não passar do ponto.
  • Álcool na pele, também desaconselhado pela VCA.
  • Cobrir ou embrulhar com toalha molhada. O pano prende o calor e impede a evaporação, que é justamente o que resfria.
  • Dar qualquer remédio por conta própria, inclusive antitérmicos de uso humano.
  • Esperar para ver se passa.

Mitos e erros comuns no calor

  • “Tosar bem curtinho refresca.” Não refresca. O CRMV-RJ explica que o pelo funciona como isolante térmico e que, sem ele, a radiação do sol atinge a pele com mais força, podendo causar queimaduras e ainda mais desconforto.
  • “Com a janela aberta, o carro fica ventilado.” O estudo da Pediatrics mostrou que uma fresta de cerca de 4 cm não muda praticamente nada.
  • “Passeio curtinho não tem problema.” A maioria das insolações por exercício no estudo britânico veio de caminhadas.
  • “Hoje está nublado, então pode.” Cães agitados ou muito exercitados podem superaquecer mesmo quando o tempo não parece tão quente, segundo a VCA. O abafado engana.
  • “Gato não sofre com calor.” Sofre menos vezes, mas quando um gato respira de boca aberta, já é um sinal anormal.
  • “Ele já está acostumado com o calor daqui.” Nenhum cão está imune: mesmo acostumado, ele continua dependendo de ofegar para perder calor, e raça, peso, idade e esforço seguem pesando no risco.
  • “Passou o susto, acabou.” A VCA alerta que pets que já tiveram hipertermia ficam mais propensos a ter de novo, por causa de danos ao centro que regula a temperatura no cérebro. Quem já passou mal uma vez precisa de cuidado redobrado em todos os verões.

Quando procurar o veterinário

Procure atendimento imediatamente se notar:

  • ofegância intensa que não diminui depois de alguns minutos de descanso em lugar fresco;
  • gengiva seca ou pegajosa, gengiva ou língua arroxeada ou azulada, ou gengiva com manchas roxas;
  • vômito ou diarreia, principalmente com sangue;
  • cambaleio, fraqueza, desorientação, apatia profunda ou desmaio;
  • convulsão;
  • no gato, qualquer respiração de boca aberta ou ofegante, prostração intensa ou dificuldade para andar;
  • em cães de focinho curto, respiração muito ruidosa ou esforço visível para respirar.

Mesmo que o pet tenha se recuperado sozinho depois de um episódio de calor, vale uma consulta para avaliar se houve algum dano e montar um plano para os próximos verões. A ASPCA sugere uma consulta de rotina no começo do verão, o que vale ainda mais para pets idosos, braquicefálicos ou com doença crônica. O assunto conversa com o guia de saúde de cães e gatos, que reúne a prevenção em cada fase da vida.

Um verão tranquilo para ele (e para você)

Resumindo: água fresca e sombra o dia todo, passeios bem cedo ou à noite, teste do chão antes de sair, nada de carro estacionado e atenção redobrada com focinho curto, idosos, obesos e cães que não sabem parar. Se aparecerem os sinais de alerta, água fresca, vento e veterinário, sem gelo e sem toalha por cima. Com esses cuidados, o calor vira só uma desculpa para mais sonecas no piso frio.

E aquela cena do seu cachorro esparramado no chão da cozinha, ou do gato derretido na frente do ventilador, merece virar lembrança. Dá para eternizar a foto dele no mural de 1 milhão de pets, com nome e um link opcional, e mostrar pro Brasil inteiro quem manda no ventilador da casa.

Perguntas frequentes

Qual temperatura é perigosa para cachorro?

Não existe um número único de temperatura do ar, porque umidade, raça, peso, idade e esforço mudam tudo, e cães podem ter insolação até em dias que não parecem tão quentes quando se exercitam muito. No corpo do animal, a VCA Animal Hospitals considera anormal acima de 39,4 °C e associa temperaturas acima de cerca de 41 °C, sem doença prévia, à insolação. Na dúvida, trate como emergência.

Gato ofegante é normal?

Não. Segundo a Cummings School of Veterinary Medicine, da Universidade Tufts, em gatos qualquer respiração de boca aberta ou ofegante é anormal. Se o gato estiver ofegante, muito prostrado, sem conseguir andar ou sem tolerar esforço (basta um desses sinais), ele precisa ser visto por um veterinário imediatamente, principalmente em dias quentes.

Posso dar gelo para o cachorro com calor?

Como refresco, sim: o CRMV-RJ (Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro) recomenda cubos de gelo e frutas congeladas para aliviar o calor dos pets; ofereça em pequenas porções e só frutas seguras para a espécie. Na suspeita de insolação é diferente: nada de gelo, bolsa de gelo ou água gelada no corpo, porque o resfriamento exagerado pode levar à hipotermia. Use água em temperatura ambiente, por pouco tempo, e procure o veterinário.

Devo tosar o cachorro no verão para ele sentir menos calor?

Raspar, não. A ASPCA orienta nunca raspar o cachorro, porque as camadas do pelo protegem contra o superaquecimento e a queimadura solar; aparar pelos longos pode. O CRMV-RJ lembra que o pelo funciona como isolante térmico e que a tosa rente deixa a pele mais exposta ao sol. Em raças de pelagem dupla, converse com o veterinário antes de qualquer tosa.

Ventilador ajuda o cachorro e o gato no calor?

Ajuda, sim. Ventilador e ar-condicionado estão entre as recomendações da Universidade Tufts para manter os pets frescos em casa, e a VCA indica borrifar água fresca e colocar o cachorro no caminho do vento durante o resfriamento de emergência. Deixe sempre um espaço para o pet sair da frente do ventilador quando quiser.

Fontes consultadas

  1. Heat Stroke in Dogs (VCA Animal Hospitals)
  2. Keeping Pets Cool in the Summer (entrevista com o Dr. Ian DeStefano, 2023) (Cummings School of Veterinary Medicine, Universidade Tufts)
  3. Hot Weather Safety Tips (ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals))
  4. Dogs Don't Die Just in Hot Cars: Exertional Heat-Related Illness (Heatstroke) Is a Greater Threat to UK Dogs (Hall, Carter e O'Neill, 2020) (Animals (MDPI), via PubMed Central)
  5. Heat stress from enclosed vehicles: moderate ambient temperatures cause significant temperature rise in enclosed vehicles (McLaren, Null e Quinn, 2005) (Pediatrics, via PubMed)
  6. CRMV-RJ concede entrevista à TV Globo sobre cuidados com os pets durante onda de calor (fevereiro de 2025) (CRMV-RJ (Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro))

Foto da capa: rawpixel, via rawpixel (CC0 (domínio público)).

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