Alimentação

Alimentação de cachorro: guia completo do que dar, quanto e quando

Alimentação de cachorro sem erro: o que dar, quanto por dia, quantas refeições em cada idade, petiscos seguros e alimentos proibidos, com base veterinária.

Publicado em Atualizado em 16 min de leitura

Ração seca para cachorro num pote de inox

Resposta rápida

A alimentação de cachorro ideal é um alimento completo e balanceado para a fase de vida dele (filhote, adulto ou idoso), na quantidade que mantém o peso ideal, dividido em duas refeições por dia no adulto e três no filhote de até 6 meses. Petiscos e comida de gente somam no máximo 10% das calorias do dia, água fresca fica sempre à disposição e alimentos tóxicos, como chocolate, uva, cebola e xilitol, ficam fora do alcance.

Em resumo

  • A base da dieta é um alimento completo para cães, adequado à fase de vida, como define a norma do MAPA.
  • A tabela da embalagem é só o ponto de partida: o ajuste vem da balança e do escore corporal (ideal 4 a 5 de 9).
  • Filhote come três vezes ao dia até os 6 meses; adulto, duas refeições medidas em horários fixos.
  • Petiscos, frutas e comida de gente somam no máximo 10% das calorias diárias.
  • Chocolate, uva, passa, tamarindo, cebola, alho, xilitol, macadâmia, álcool e massa crua são proibidos.

Alimentação de cachorro bem feita se resume a três decisões: o que colocar no pote, quanto colocar e em quantas refeições dividir. Parece simples, mas é justamente aí que muita gente se perde, entre rótulos cheios de promessas, receitas de internet e aquele olhar pidão na hora do almoço.

Este guia reúne o que dizem as principais referências da nutrição veterinária, como a WSAVA (World Small Animal Veterinary Association), o Manual Merck de Veterinária e as regras do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) para alimentos de cães e gatos. Você vai sair daqui sabendo escolher a comida, calcular a porção, montar a rotina por idade e reconhecer o que nunca deve chegar à boca do seu cachorro.

Um combinado antes de começar: se o seu cão tem alguma doença, toma medicação contínua ou come dieta prescrita, use este texto como base para conversar com o veterinário dele, nunca como substituto.

O que é uma alimentação de cachorro completa e equilibrada?

Uma alimentação completa entrega todos os nutrientes de que o cão precisa; uma alimentação equilibrada entrega esses nutrientes nas proporções certas. As duas coisas precisam andar juntas. No Brasil, a Instrução Normativa nº 30/2009 do MAPA define “alimento completo” como o produto capaz de atender integralmente às exigências nutricionais do animal de companhia. É essa expressão que você procura na embalagem.

Segundo o Manual Merck de Veterinária, os nutrientes se dividem em seis classes: água, proteína, gordura, carboidratos, vitaminas e minerais. Só proteína, gordura e carboidratos fornecem energia. O cão precisa ainda receber pela dieta dez aminoácidos essenciais, além de minerais como cálcio e fósforo na relação certa.

É por isso que a velha combinação “arroz com carne” não funciona sozinha. O próprio Manual Merck cita que uma dieta exclusiva de carne moída com arroz pode levar à deficiência de cálcio e a um problema hormonal chamado hiperparatireoidismo nutricional secundário. Alimentar só com fígado, por outro lado, pode causar intoxicação por vitamina A. Comida de verdade não é o problema; o problema é a receita sem balanceamento.

Na prateleira, a norma do MAPA ajuda a separar as coisas:

  • Alimento completo: pode ser a base da dieta. Como todo alimento para pets, traz no rótulo a espécie e a categoria de animal a que se destina (filhote, adulto, porte), os níveis de garantia e o modo de usar.
  • Alimento específico (petiscos e bifinhos): feito para agrado ou recompensa. É obrigado a trazer a frase “este produto não substitui o alimento completo”.
  • Produto mastigável: ossinhos e similares para diversão, com valor nutricional desprezível.

Ração, comida caseira ou alimentação natural: qual escolher?

Não existe uma única resposta certa, existe a opção que é completa, segura e sustentável para a sua rotina. Veja como as principais se comparam, com base no Manual Merck e na WSAVA:

TipoComo éVantagensCuidados
Ração secaCerca de 10% de água, cozida por extrusãoMais barata, dura fora da geladeira, fácil de medirGuarde na embalagem original, bem fechada
Ração úmida (sachê ou lata)De 68% a 78% de águaMuito palatável, ajuda na hidrataçãoMais cara; depois de aberta, geladeira e uso em 48 a 72 horas
Comida caseira cozidaReceita feita em casaIngredientes escolhidos por você, boa para alguns casos clínicosSó com receita de veterinário nutricionista e exames periódicos
Dieta crua (BARF)Carne, vísceras e às vezes ossos crusAtrai pela ideia de ser “natural”Risco de Salmonella e Listeria para o cão e para a família

Sobre a comida crua, vale o alerta: num levantamento da FDA (agência americana de alimentos e medicamentos) com 1.076 amostras de alimentos para pets, coletadas entre 2010 e 2012, a comida crua foi a mais contaminada (das 196 amostras, 15 tinham Salmonella e 32 tinham Listeria), enquanto nenhuma das 120 amostras de ração seca para cães testou positivo para esses dois patógenos. A WSAVA recomenda que casas com crianças pequenas, idosos ou pessoas imunossuprimidas não ofereçam carne crua aos pets.

A comida caseira cozida é uma opção legítima, desde que bem formulada. A WSAVA explica que receitas genéricas de livros e sites costumam ter deficiências e às vezes incluem ingredientes tóxicos, como o alho. Se você quer seguir esse caminho, leia nosso guia sobre alimentação natural para cachorro antes de ir para o fogão.

Como escolher uma boa ração

Marca famosa não é garantia, e preço alto também não. Use esta lista de checagem, adaptada das orientações da WSAVA para escolha de alimentos:

  1. Está escrito “alimento completo” para cães? E é para a fase certa: filhote, adulto, sênior. Para filhotes de raças grandes, o Manual Merck recomenda fórmulas de crescimento feitas especificamente para porte grande, porque o crescimento delas precisa ser mais lento e controlado.
  2. A embalagem informa o modo de usar e as calorias? A WSAVA lembra que a informação de calorias só é obrigatória no rótulo nos Estados Unidos. Se não estiver na embalagem, o SAC do fabricante (o telefone é obrigatório no rótulo brasileiro) deve informar.
  3. A empresa tem nutricionista e controle de qualidade? Para a WSAVA, o fabricante sério tem nutricionista com doutorado em nutrição animal ou título de especialista em nutrição veterinária e faz análise do produto final.
  4. Desconfie de palavras soltas. Termos como “premium” e “holístico” não são regulamentados, segundo a WSAVA. Valem menos que a declaração de alimento completo.
  5. A lista de ingredientes não conta tudo. O nome do ingrediente não diz sua qualidade nem digestibilidade. Subprodutos como fígado e rim são ricos em nutrientes, e cereais bem cozidos são digeridos pelos cães, de acordo com a WSAVA.

Quanto o cachorro deve comer por dia?

A quantidade certa é a que mantém o seu cachorro no peso ideal. A tabela da embalagem é um bom ponto de partida, mas a WSAVA avisa que a necessidade de cada cão pode variar até 50% para mais ou para menos em relação à média. Por isso a recomendação é reajustar a porção a cada duas semanas no início, olhando a balança e o corpo do cão.

Para ter uma referência, veja as faixas de calorias que a WSAVA calcula para cães adultos saudáveis, no peso ideal (cães mais parados tendem a ficar perto do número menor; os mais ativos, do maior):

Peso idealCalorias por dia (kcal)Ração com 3.500 kcal/kg (gramas por dia)
5 kg280 a 35180 a 100 g
10 kg470 a 590134 a 169 g
20 kg790 a 993226 a 284 g
30 kg1.080 a 1.346309 a 385 g
40 kg1.340 a 1.670383 a 477 g

A conta para a sua ração é simples: divida as calorias do dia pelas calorias por grama do alimento. Uma ração com 3.500 kcal por quilo tem 3,5 kcal por grama; então um cão de 10 kg que precisa de 500 kcal come cerca de 143 g por dia. A tabela completa, com filhotes e idosos, está no guia de quantidade de ração por dia.

Duas dicas fazem muita diferença. Primeira: pese a comida numa balança de cozinha em vez de usar o “olhômetro” ou um copo qualquer. Segunda: aprenda a avaliar o escore de condição corporal, uma escala de 1 a 9 em que 4 e 5 são o ideal. Um teste rápido do VCA Animal Hospitals: passe a mão nas costelas do cão. Se a sensação for parecida com a das costas da sua mão, o peso está bom; se lembrar a palma, tem gordura sobrando; se parecer os nós dos dedos, ele está magro.

Esse cuidado não é exagero. Uma pesquisa feita em São Paulo com 285 cães, publicada na Scientific Reports em 2020 por pesquisadores da USP, encontrou 40,5% dos animais com sobrepeso ou obesidade. Castração e consumo de petiscos estiveram entre os fatores associados. Cão castrado gasta menos energia: pelos fatores de cálculo do Manual Merck, ele precisa de cerca de 11% menos calorias do que um cão inteiro do mesmo peso. Vale conversar sobre isso no pós-operatório; falamos mais no artigo sobre castração de cachorro e gato.

Quantas vezes por dia dar comida ao cachorro?

Filhotes comem mais vezes porque têm estômago pequeno e gastam muita energia crescendo. Adultos se dão bem com duas refeições. O esquema abaixo segue o Manual Merck de Veterinária para filhotes e adultos; para o idoso, o manual não fixa um número, e o habitual é manter a rotina do adulto:

IdadeRefeições por diaObservação
Do desmame aos 6 meses3Filhotes de raças pequenas podem precisar de mais de 3
De 6 a 12 meses2Raças grandes e gigantes seguem com ração de filhote por mais tempo
Adulto2Porções medidas, em horários regulares
Idoso2, em geralMesma rotina do adulto; ajuste com o veterinário se o apetite ou o peso mudarem

E a ração à vontade no pote, o dia todo? A WSAVA diz que isso só funciona para o cão que regula sozinho a própria ingestão e mantém o peso ideal. Para cães com tendência a engordar e para filhotes de raças grandes, que precisam crescer devagar, a recomendação é porção controlada.

Para o cão que vive com fome, a WSAVA sugere dividir a porção em mais refeições, usar brinquedos dispensadores de ração, gastar energia com passeios e brincadeiras e, se preciso, trocar para um alimento menos calórico, do tipo light.

Alimentação por fase da vida: filhote, adulto, gestante e idoso

Filhote

O filhote deve comer alimento de crescimento até atingir a maturidade do esqueleto, e não só até parecer que parou de crescer, explica o Manual Merck. Raças pequenas e médias costumam completar essa fase entre 8 e 12 meses; raças grandes e gigantes, entre 10 e 16 meses. A troca para a ração de adulto em geral acontece quando o cão chega a cerca de 90% do peso adulto esperado.

Nas raças grandes, crescer rápido demais é ruim para ossos e articulações. O Manual Merck recomenda pesar o filhote toda semana e ajustar a comida para que ele ganhe um pouco de peso por semana, sem pressa. Não acrescente cálcio, vitaminas ou casca de ovo por conta própria: segundo o Manual Merck, suplementar cálcio, fósforo e vitamina D além do que a ração de crescimento completa já traz raramente é necessário e pode até ser contraindicado. Se o filhote acabou de chegar, o guia do tutor de primeira viagem ajuda a organizar o primeiro mês.

Adulto

O adulto come para manter o peso e a condição corporal. A ração de manutenção é a regra, e a quantidade depende de porte, atividade e castração. Cães de trabalho ou muito ativos podem precisar de mais energia; cães de apartamento que passam o dia deitados, de menos.

Gestante e lactante

A cadela grávida que começou a gestação no peso certo não precisa comer mais nos dois primeiros terços dela. Segundo o Manual Merck, no último terço a quantidade deve subir pelo menos 20% a 30% em relação à manutenção, e durante a amamentação a necessidade de energia costuma chegar a duas a quatro vezes a normal, dependendo do tamanho da ninhada. Ou seja: nada de reforçar o prato logo no começo, e atenção redobrada na lactação, quando ela mais precisa.

Idoso

O cão idoso não precisa necessariamente de “menos de tudo”. O Manual Merck observa que cães mais velhos podem até precisar de mais proteína para manter a massa muscular, enquanto alguns chegam à velhice acima do peso e outros começam a perder condição corporal. O caminho é acompanhar peso e exames com o veterinário e ajustar a dieta caso a caso. Dentes doloridos também atrapalham a alimentação, por isso a escovação dos dentes do pet faz parte dessa conta. Os demais cuidados dessa fase estão no guia sobre cuidados com cachorro idoso.

Petiscos, frutas e comida de gente: o que pode entrar

Pode entrar, mas com limite. A regra usada pela WSAVA, pelo Manual Merck e pelo VCA é a mesma: petiscos somam no máximo 10% das calorias do dia. O restante, 90% ou mais, vem do alimento completo.

Na prática, um cão de 10 kg tem de 47 a 59 kcal por dia para petiscos. Agora compare com a tabela de calorias da WSAVA para agrados comuns:

AgradoQuantidadeCalorias
Peito de frango cozido, sem pele28 g47 kcal
Pasta de amendoim1 colher de sopa81 kcal
Queijo cheddar28 g120 kcal
Orelha de porco desidratada56 g242 kcal

Ou seja: 28 g de queijo cheddar, mais ou menos uma fatia grossa, já estouram a cota diária de petiscos de um cão de até uns 20 kg. Para quem quer agradar sem engordar, a WSAVA cita opções de poucas calorias, como melão, melancia, maçã e cenoura. Algumas comidas de gente funcionam bem, outras pedem cuidado:

Dois alertas da WSAVA: ossos, crus ou cozidos, podem quebrar dentes e causar obstrução ou perfuração no trato digestivo (sim, inclusive o osso do churrasco de domingo); e petiscos tipo jerky e de batata-doce desidratada já foram associados a doença renal em vários países, por isso são desaconselhados.

Quais alimentos são proibidos para cachorro?

Alguns alimentos comuns na cozinha brasileira são tóxicos para cães, mesmo em pequena quantidade. Os principais, segundo a ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals), o Manual Merck e a WSAVA:

AlimentoPor que faz mal
Chocolate, café, chá e energéticoMetilxantinas (teobromina e cafeína) agitam o sistema nervoso e podem causar arritmia, tremores e convulsões
Uva, uva-passa e tamarindoPodem causar insuficiência renal; o ácido tartárico é o principal suspeito
Cebola, alho, cebolinha e alho-poróDanificam as hemácias e causam anemia, crus, cozidos, desidratados ou em pó
Xilitol (adoçante)Derruba o açúcar do sangue e pode lesar o fígado
MacadâmiaFraqueza, falta de coordenação, vômito, tremores e temperatura alta
Álcool e massa crua com fermentoIntoxicação por álcool; a massa cresce no estômago, que pode distender e torcer
Ossos e gordura de carneOssos causam lesão e obstrução; a gordura, vômito, diarreia e risco de pancreatite
Leite e derivadosCães têm pouca lactase, o que pode causar diarreia
Sal em excessoSede intensa, vômito, tremores e convulsões
Carne e ovo crusSalmonella e E. coli; o ovo cru ainda atrapalha a absorção de algumas vitaminas

O tempero é o grande vilão escondido: o refogado de alho e cebola está em quase tudo que sai da panela brasileira, do feijão ao molho de tomate. A lista completa, com quantidades e onde cada item aparece no dia a dia, está em alimentos proibidos para cachorro. Se o problema já aconteceu com o chocolate, siga o passo a passo de cachorro comeu chocolate.

Água, troca de ração e os erros mais comuns

A água é o nutriente mais importante, lembra o Manual Merck: a falta dela pode matar em poucos dias. Deixe água limpa e fresca sempre disponível, de preferência em mais de um ponto da casa. Como referência, a maioria dos mamíferos em temperatura confortável precisa de cerca de 44 a 66 mL por quilo por dia, ou seja, algo entre 440 e 660 mL para um cão de 10 kg. Quem come ração úmida bebe menos, e no verão a necessidade sobe; veja os sinais de alerta em cachorro e gato no calor. Se em casa também tem gato, a lógica dele é outra: confira o que gato pode comer e como fazer o gato beber mais água.

Para trocar de ração, a WSAVA recomenda uma transição de pelo menos três dias em cães saudáveis (mais longa em cães doentes):

DiaRação antigaRação nova
175%25%
250%50%
325%75%
40%100%

E os erros que mais vemos por aí:

  1. Servir no olho. Sem balança, a porção cresce sem você perceber.
  2. Somar petisco sem descontar da refeição. O bifinho e o pedaço de pão do café contam.
  3. Suplementar sem indicação. A WSAVA explica que não há necessidade de vitaminas e minerais extras sobre um alimento completo, e alguns são tóxicos em excesso.
  4. Trocar de ração de uma vez. É receita de vômito e diarreia.
  5. Guardar a ração aberta num pote mal lavado. A WSAVA prefere a embalagem original, que preserva o produto e permite rastrear o lote.
  6. Dar a comida da família “sem tempero”. Quase sempre tem sal, gordura, alho ou cebola.

Alimentar bem também é planejar o orçamento: ração de qualidade é um dos maiores gastos fixos do tutor, como mostramos em quanto custa ter um cachorro.

Quando procurar o veterinário

Algumas situações ligadas à comida pedem atendimento, e algumas são emergência. Procure o veterinário:

  • Imediatamente, se o cão comeu algo tóxico (chocolate, uva, passa, tamarindo, xilitol, cebola, alho, macadâmia, álcool, massa crua), mesmo que ainda esteja bem. Leve a embalagem e calcule quanto ele comeu. Não provoque vômito em casa sem orientação profissional.
  • Imediatamente, também, se a barriga estiver inchada e dura (principalmente com ânsia sem conseguir vomitar), se ele estiver muito fraco, com a gengiva muito pálida, desmaiando ou convulsionando.
  • No mesmo dia, se houver vômitos repetidos, diarreia com sangue, gengiva amarelada ou dor abdominal. O VCA cita a “posição de reza” (traseiro para cima, patas da frente e cabeça no chão) como uma postura que o cão pode assumir numa crise de pancreatite, que em alguns casos é desencadeada por uma refeição gordurosa.
  • O quanto antes, se ele parar de comer ou passar a comer bem menos. A WSAVA orienta avaliação veterinária o mais rápido possível e desaconselha forçar a comida, que pode gerar aversão ao alimento e pneumonia por aspiração.
  • Na próxima consulta, se ele ganhar ou perder peso sem explicação, beber água demais ou mudar o apetite.

Para a diarreia comum, que muitas vezes começa com uma troca de comida ou um “furto” do lixo, veja cachorro com diarreia. E para entender como a alimentação se encaixa na prevenção em cada fase, o guia de saúde de cães e gatos é o próximo passo.

Alimentação de cachorro é rotina, e rotina vira história

No fim, alimentar bem um cachorro é menos sobre achar o produto perfeito e mais sobre constância: alimento completo para a fase de vida, porção pesada, horário certo, petisco com limite e olho atento ao corpo dele. Segundo o VCA, cães acima do peso têm mais risco de diabetes, doenças do coração, artrose e câncer; mantê-lo em forma é cuidar para ter mais anos de passeio, de bagunça na hora da ração e de foto no sofá (os fatores que influenciam isso estão em quanto tempo vive um cachorro).

E já que essa rotina diária vira a história de vocês dois, que tal guardar um pedaço dela? Dá para eternizar a foto do seu cachorro no mural de 1 milhão de pets, com o nome dele e, se quiser, um link, para o Brasil inteiro ver.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário. Se o seu pet apresentar sinais de emergência, procure atendimento imediatamente.

Perguntas frequentes

Posso dar comida caseira para o meu cachorro?

Pode, desde que a receita seja formulada por um médico-veterinário com formação em nutrição e o cão faça acompanhamento periódico. A WSAVA alerta que receitas genéricas de livros e da internet costumam ser desequilibradas e às vezes levam ingredientes tóxicos, como alho.

Cachorro pode comer só arroz com carne todo dia?

Como dieta única, não. O Manual Merck de Veterinária explica que uma dieta exclusiva de carne moída com arroz pode causar deficiência de cálcio e hiperparatireoidismo nutricional secundário. Arroz e carne cozidos podem entrar como parte de uma receita balanceada, não sozinhos.

Quantas vezes por dia o cachorro adulto deve comer?

Para a maioria dos adultos, duas refeições medidas em horários regulares. O Manual Merck aponta esse esquema como o melhor para prevenir a obesidade, e a rotina fixa ainda ajuda você a perceber logo quando o apetite muda.

Preciso dar vitamina junto com a ração?

Na maioria dos casos, não. Segundo a WSAVA, alimentos completos e balanceados já trazem vitaminas e minerais na medida certa, e suplementar por conta própria pode ser arriscado, porque alguns nutrientes são tóxicos em excesso. Use suplemento só com indicação veterinária.

Como trocar a ração sem dar diarreia?

Faça a transição aos poucos, em pelo menos três dias (mais tempo se o cão tiver alguma doença): 75% da ração antiga no primeiro dia, metade de cada no segundo, 25% da antiga no terceiro e só a nova no quarto. Trocas bruscas podem causar vômito e diarreia.

Posso deixar ração à vontade no pote o dia todo?

Só se o cachorro mantém o peso ideal sozinho. A WSAVA não recomenda deixar comida livre para cães com tendência a engordar nem para filhotes de raças grandes, que precisam de porções controladas para crescer devagar.

Fontes consultadas

  1. Global Nutrition Guidelines (WSAVA (World Small Animal Veterinary Association))
  2. Frequently Asked Questions & Myths (WSAVA Global Nutrition Committee)
  3. Guidelines on Selecting Pet Foods (WSAVA Global Nutrition Committee (2021))
  4. Calorie Ranges for an Average Healthy Adult Dog in Ideal Body Condition (WSAVA (2020))
  5. Feeding treats to your dog (WSAVA)
  6. Feeding Practices in Small Animals (Merck Veterinary Manual)
  7. Dog and Cat Foods (Merck Veterinary Manual)
  8. Nutritional Requirements of Small Animals (Merck Veterinary Manual)
  9. Grape, Raisin, and Tamarind (Vitis spp, Tamarindus spp) Toxicosis in Dogs (Merck Veterinary Manual)
  10. Garlic and Onion (Allium spp) Toxicosis in Animals (Merck Veterinary Manual)
  11. Avocado Toxicosis in Animals (Merck Veterinary Manual)
  12. Legislação: alimentação animal (Instrução Normativa nº 30/2009) (Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA))
  13. Prevalence of canine obesity in the city of São Paulo, Brazil (Scientific Reports (Porsani et al., 2020))
  14. Get the Facts! Raw Pet Food Diets can be Dangerous to You and Your Pet (FDA (U.S. Food and Drug Administration))
  15. Obesity in Dogs (VCA Animal Hospitals)
  16. Pancreatitis in Dogs (VCA Animal Hospitals)
  17. People Foods to Avoid Feeding Your Pets (ASPCA)

Foto da capa: rawpixel, via rawpixel (CC0 (domínio público)).