Alimentação

O que gato pode comer: alimentos permitidos e proibidos para gatos

O que gato pode comer além da ração: carnes, peixes, frutas e legumes permitidos, a lista de alimentos proibidos e quanto petisco dar por dia.

Publicado em Atualizado em 15 min de leitura

Gato malhado e filhote laranja perto de tigelas de comida no chão

Resposta rápida

Além da ração completa e balanceada, o gato pode comer pequenas porções de carne magra cozida (frango, peru, carne bovina), peixe cozido sem espinha, ovo bem cozido e alguns legumes e frutas sem casca e sem semente, sempre sem sal e sem tempero. São proibidos cebola, alho, cebolinha, alho-poró, chocolate, café, chá, uva, uva-passa, xilitol, álcool e massa crua. Leite, carne e peixe crus e ossos também devem ser evitados, e os petiscos não devem passar de 10% das calorias do dia.

Em resumo

  • O gato é carnívoro estrito: taurina, vitamina A e ácido araquidônico precisam vir prontos na dieta.
  • Carne magra cozida, peixe cozido sem espinha e ovo bem cozido, sem sal e sem tempero, são os extras mais seguros.
  • Cebola e alho são os grandes vilões: o gato é a espécie mais sensível, e as formas concentradas, como alho e cebola em pó, são as mais ligadas aos casos.
  • Leite, carne crua, peixe cru, ossos e ração de cachorro não servem para o gato.
  • Petiscos devem ficar abaixo de 10% das calorias do dia: cerca de 22 kcal para um gato de 4 kg (WSAVA).
  • Se ele comeu algo tóxico, ligue para o veterinário na hora, mesmo que pareça bem.

O que gato pode comer, além da ração completa e balanceada que deve ser a base da dieta, são pequenas porções de carne magra cozida, peixe cozido sem espinha, ovo bem cozido e alguns legumes e frutas, tudo sem sal e sem tempero. Conhecer essa lista evita dois erros muito comuns: dar “só um pedacinho” de algo que parece inofensivo e faz mal, e achar que o gato precisa de variedade no prato como a gente.

Do outro lado da lista ficam cebola, alho, chocolate, uva, xilitol, álcool, café e leite, entre outros. Alguns fazem mal em quantidades que parecem desprezíveis: o Manual Merck de Veterinária relata intoxicação em gatos após a ingestão de menos de uma colher de chá de cebola cozida.

Neste guia você vai entender por que o gato come diferente do cachorro, ver a lista de alimentos permitidos e proibidos com o jeito certo de oferecer cada um, saber quanto petisco cabe no dia dele e o que fazer se ele comer algo que não devia.

Por que o gato come diferente do cachorro?

O gato é carnívoro estrito (ou obrigatório). Nas palavras do Cornell Feline Health Center, da Faculdade de Veterinária da Universidade Cornell, isso significa que ele depende de nutrientes encontrados apenas em produtos de origem animal. O Manual Merck detalha o que isso quer dizer na prática: o gato precisa receber prontos na dieta a taurina, o ácido araquidônico, a vitamina A e a niacina, e tem necessidade maior de alguns aminoácidos, como a arginina.

A vitamina A é um bom exemplo. O cachorro converte o betacaroteno da cenoura em vitamina A; o gato não, porque, segundo o Merck, falta a ele a enzima intestinal que faz esse trabalho. A cenoura pode até ser um petisco, mas nunca a fonte de vitamina A do gato. Já a falta de taurina pode causar cardiomiopatia dilatada (doença do músculo do coração) e degeneração da retina.

Isso tem duas consequências práticas:

  • Ração de cachorro não serve para gato. O Manual Merck explica que ela tem menos proteína, muitas vezes não garante a taurina e pode não ter vitamina A pré-formada nem ácido araquidônico. Se o seu gato belisca o pote do cachorro de vez em quando, não é emergência, mas não pode virar hábito. O guia sobre cachorro e gato juntos em casa mostra como separar os potes e organizar a rotina dos dois.
  • Dieta vegetariana ou vegana não é adequada. O Merck cita as dietas vegetarianas, ao lado da ração de cachorro, entre as situações em que os problemas nutricionais mais aparecem em gatos.

Mais um detalhe que muda a forma de pensar o petisco: o gato não sente o gosto doce. Um estudo publicado na revista PLOS Genetics em 2005 mostrou que o gene Tas1r2, uma das duas peças do receptor de sabor doce, não funciona nos gatos. Doce e fruta não são “agrado” para ele; carne é. Tem mais fatos assim nas curiosidades sobre gatos.

O que gato pode comer: alimentos permitidos

A maior parte dos alimentos abaixo aparece como opção segura, em pequena quantidade, na lista de comidas para dividir com o pet da ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals) e no guia para gatos do VCA Animal Hospitals, rede de hospitais veterinários dos Estados Unidos. Peixe e ovo entram com as ressalvas do Manual Merck e de uma revisão brasileira, explicadas logo abaixo. As regras: carne, peixe e ovo bem cozidos, sem sal, sem tempero, sem osso ou espinha; legumes e frutas lavados, sem casca, semente, caroço ou talo; e tudo em pedaços pequenos.

AlimentoPode?Como oferecer
Frango e peruSimCozidos, sem pele, sem osso e sem tempero
Carne bovina ou suína magraSimCozida, sem gordura aparente e sem tempero
Peixe fresco (salmão, por exemplo)Sim, de vez em quandoCozido, sem espinha, sem sal e sem óleo
OvoSimBem cozido, sem sal, em pedaços pequenos
AbóboraSimCozida e amassada, sem açúcar e sem tempero
Batata-doceSimCozida e amassada, misturada à comida
Cenoura, vagem, brócolis, couve-florSimSem tempero e em pedaços pequenos; cozidos, ficam mais macios
Pepino e salsãoSimEm pedaços pequenos
MaçãSimSem sementes e sem miolo
Banana, melão, morango, mirtilo, kiwiSim, poucoSem casca, semente ou talo, em pedaços pequenos

Carnes e aves: o petisco que mais combina com o gato

Carne magra cozida é o extra mais alinhado à natureza do gato. A ASPCA recomenda pequenas quantidades de frango, peru, carne bovina ou suína magros, cozidos, sem osso e sem tempero, e pede para evitar carnes processadas. Na prática, separe um pedaço do frango antes de temperar a comida da família. O frango assado de padaria e a carne do almoço quase sempre levam sal, alho e cebola.

Peixe: cozido, sim; cru, não

Peixe fresco cozido, sem espinha e sem sal, pode entrar de vez em quando. Cru, não: o Manual Merck explica que peixes crus de água doce e mariscos têm tiaminases, enzimas que destroem a tiamina (vitamina B1) da dieta, e que o cozimento elimina essas enzimas. O peixe enlatado também pede cautela, como você vai ver adiante.

Ovo: só bem cozido

Uma revisão publicada na revista Veterinária em Foco, por pesquisadores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), lembra que ovos podem ser oferecidos quando bem cozidos. O ovo cru deve ficar fora: a clara crua tem avidina, que impede a absorção da biotina (Merck), e a ASPCA alerta para o risco de Salmonella e E. coli.

Legumes e frutas: permitidos, mas dispensáveis

Abóbora cozida e batata-doce cozida e amassada, misturadas à comida de sempre, são opções saudáveis, segundo o VCA; a abóbora ainda traz fibra. Na maçã, tire sementes e miolo: as sementes contêm compostos que liberam cianeto e o miolo pode engasgar. Doces com sabor de abóbora, como tortas e bebidas, não contam: têm açúcar e aditivos. Lembre que, sem o paladar para o doce, muitos gatos ignoram a fruta, e tudo bem. Para comparar com as regras do cão, veja as frutas que cachorro pode comer.

Alimentos proibidos para gatos: o que é tóxico

A WSAVA (World Small Animal Veterinary Association), no seu guia de petiscos para gatos, lista como ingredientes tóxicos: cebola, alho-poró, chalota, alho e cebolinha; uva e todo tipo de uva-passa; chocolate; xilitol; álcool e massa crua com fermento; bebidas com cafeína, como café, chá e energético; e leite e derivados. Veja onde cada um se esconde:

AlimentoPor que faz malOnde costuma se esconder
Cebola, alho, cebolinha, alho-poróDestroem as hemácias e causam anemiaTempero pronto, alho e cebola em pó, molhos, caldos, sopa de pacote, arroz e feijão temperados
Chocolate e cacauVômito, agitação, tremores e alteração no ritmo do coração (ASPCA)Bolo, brigadeiro, achocolatado
Café, chá e energéticoCafeína, com efeitos parecidos com os do chocolateBorra de café, sachês de chá, copos esquecidos
Uva e uva-passaInsuficiência renal, bem documentada em cães e já relatada em gato (Merck, VCA)Panetone, arroz com passas, granola
XilitolQueda de açúcar no sangue e risco de lesão no fígado (ASPCA)Chiclete, bala, pasta de dente, doces “sem açúcar”
Álcool e massa crua com fermentoVômito, falta de coordenação e dificuldade para respirar; a massa ainda fermenta no estômago e produz álcool (ASPCA)Massa de pão ou pizza crescendo, bebidas
Sal em excessoSede, alteração de eletrólitos, tremores e convulsões (ASPCA)Salgadinhos, embutidos, petiscos de bar
Ossos, crus ou cozidosFerimentos e obstrução (WSAVA, VCA)Frango, costela, peixe com espinha

Cebola e alho: o maior risco da cozinha brasileira

O Manual Merck de Veterinária é direto: o gato é a espécie mais sensível às plantas do gênero Allium (cebola, alho, cebolinha, alho-poró), seguido do cachorro. Além da colher de chá de cebola cozida, o manual cita cerca de 5 g de cebola crua por kg de peso como quantidade associada à intoxicação em gatos. Para um gato de 4 kg, isso dá uns 20 g. E o alho é de 3 a 5 vezes mais tóxico que a cebola. Atenção: esses números mostram como a margem é pequena, mas não são um limite seguro. Não existe quantidade de cebola ou alho que valha a pena arriscar; o certo é o gato não comer nenhuma.

Os dois fazem mal crus, cozidos, desidratados ou em pó, e as formas concentradas (cebola em flocos, alho em pó, sopa de cebola de pacote) são as mais ligadas aos casos. A revisão da Veterinária em Foco explica por que o gato sofre mais: a hemoglobina dele tem oito grupos sulfidrila, contra dois na de outros mamíferos, o que deixa as hemácias mais vulneráveis à oxidação.

O detalhe perigoso é o tempo. Segundo o Merck, a destruição das hemácias costuma acontecer de 3 a 5 dias depois da ingestão, e os sinais (apatia, falta de apetite, fraqueza, respiração acelerada, gengivas pálidas ou amareladas, urina escura) podem demorar a aparecer. Por isso, não espere sintomas para ligar para o veterinário. A mesma revisão observa que as intoxicações alimentares em gatos são cerca de três vezes menos frequentes que em cães, provavelmente porque o gato é seletivo para comer, mas que ele fica mais exposto quando o tóxico vem misturado a algo saboroso. É exatamente o caso do molho de carne, do caldo e do frango temperado.

Chocolate, café e chá

O Merck registra que a intoxicação por chocolate é mais comum em cães, mas que muitas espécies são suscetíveis. Quanto mais amargo o chocolate e maior o teor de cafeína, maior o risco, segundo a ASPCA. Os sinais costumam surgir entre 6 e 12 horas depois da ingestão. A lógica é a mesma explicada nos alimentos proibidos para cachorro.

Alimentos que parecem inofensivos, mas fazem mal ao gato

Alguns itens não são venenos clássicos, mas aparecem com frequência no prato do gato e causam problemas:

  • Leite e laticínios. O pires de leite é um mito de desenho animado. O Cornell explica que muitos gatos têm intolerância à lactose e podem ter problemas gastrointestinais com laticínios. O queijo também é laticínio e ainda é muito calórico: 28 g de queijo cheddar somam 120 kcal, segundo a WSAVA. Para hidratar, o caminho é outro; veja como fazer o gato beber água.
  • Carne crua e ovo cru. O Cornell não recomenda dietas cruas, porque podem conter bactérias, vírus e parasitas capazes de infectar o gato e a família, e cita a carne crua como possível via de toxoplasmose.
  • Atum e sardinha em lata para humanos. O Cornell relata que alguns gatos que comeram peixe enlatado feito para pessoas desenvolveram distúrbios neurológicos potencialmente graves. O Merck registra que grandes quantidades de atum em lata já causaram deficiência de vitamina E e esteatite (a “doença da gordura amarela”). Se for oferecer, que seja raro, pouco e em água, sem sal; nunca como rotina.
  • Fígado em excesso. O Merck explica que a intoxicação por vitamina A aparece em filhotes alimentados com dieta rica em fígado. Por isso, fígado não deve ser presença frequente no prato.
  • Embutidos e frios. Presunto, salsicha, linguiça e salame concentram sal e conservantes. A ASPCA pede para evitar carnes processadas.
  • Gordura, pele e frituras. A ASPCA alerta que o excesso de gordura pode causar vômito, diarreia e até pancreatite (inflamação do pâncreas).
  • Mandioca (aipim) crua. A revisão da Veterinária em Foco lembra que ela contém glicosídeos cianogênicos e não deve ser dada crua.

Quanto petisco o gato pode comer por dia?

A WSAVA recomenda que os petiscos, incluindo comida de gente, fiquem abaixo de 10% das calorias do dia e nunca substituam uma refeição. A tabela do guia da entidade mostra o máximo diário de petisco para um gato adulto saudável, no peso ideal:

Peso do gatoCalorias máximas de petisco por dia
2,5 kg18 kcal
3 kg20 kcal
4 kg22 kcal
5 kg25 kcal
6 kg26 kcal
7 kg28 kcal

Parece pouco, e é. Com as calorias que a WSAVA informa para cada alimento, fizemos a conta de quanto cabe nesse limite para um gato de 4 kg:

Alimento (WSAVA, por 28 g)Calorias em 28 gQuanto cabe em 22 kcal (aprox.)
Peito de frango cozido, sem pele47 kcal13 g
Peito de peru, sem pele50 kcal12 g
Carne bovina magra cozida64 kcal10 g
Salmão cozido39 kcal16 g
Atum em lata, em água36 kcal17 g
Queijo cheddar120 kcal5 g

Ou seja: um pedaço de 28 g de peito de frango já passa do dobro do limite diário de petisco de um gato de 4 kg. Somar extras sem descontar da ração é um caminho rápido para o sobrepeso, e o Manual Merck lembra que o excesso de comida leva à obesidade e a outros problemas sérios de saúde. Os números variam conforme o gato; o veterinário pode calcular a necessidade exata do seu.

Como oferecer comida caseira ao gato com segurança

Se você quer dividir um pedacinho do que cozinha, siga este roteiro:

  1. Separe a porção do gato antes de temperar a comida da família.
  2. Cozinhe bem carne, peixe e ovo, e espere esfriar.
  3. Tire pele, gordura, ossos e espinhas.
  4. Corte em pedaços pequenos. A WSAVA pede petiscos de tamanho e formato que reduzam o risco de engasgo, e supervisão enquanto ele come.
  5. Ofereça um alimento novo de cada vez, em quantidade mínima, e observe nos dias seguintes se aparece vômito, diarreia ou coceira. A ASPCA lembra que muito de uma comida com a qual o pet não está acostumado pode causar desconforto digestivo.
  6. Desconte o petisco da ração do dia, respeitando a tabela acima.
  7. Fale com o veterinário antes se o gato tem alguma doença ou come ração terapêutica. A WSAVA alerta que, nesses casos, os petiscos comuns podem não ser adequados. Na doença renal em gatos, no diabetes ou na alergia alimentar, por exemplo, a dieta costuma ser controlada.
  8. Alimentação caseira completa, só com nutricionista veterinário. O Merck afirma que o gato é a espécie para a qual é mais difícil montar uma dieta caseira completa e equilibrada e recomenda seguir uma receita formulada por nutricionista veterinário, não uma receita da internet.

Por fim, deixe a lixeira fechada e não esqueça comida na pia ou na mesa. Gato curioso sobe em bancada, e a sobra de feijão temperado ou o chiclete na bolsa podem estar ao alcance dele.

Gato comeu algo proibido: o que fazer

Se você flagrou ou desconfia que o gato comeu algo da lista de tóxicos:

  1. Tire o restante do alcance dele e veja se há mais pela casa.
  2. Anote o que ele comeu, quanto e a que horas. Guarde a embalagem ou o rótulo do tempero, do chiclete ou do produto.
  3. Ligue na hora para o veterinário ou para um pronto-atendimento 24 horas, mesmo que o gato pareça bem. Com cebola e alho, os sinais podem levar dias; com chocolate, algumas horas.
  4. Não provoque vômito em casa e não dê leite, óleo ou água com sal. Quando é indicado, o vômito é induzido pelo veterinário, com medicamento. A revisão da Veterinária em Foco descreve um caso de intoxicação grave por sal usado como vomitivo caseiro em uma cadela.
  5. Leve o gato na caixa de transporte, com a embalagem do que ele comeu.

Quando procurar o veterinário

Procure atendimento de emergência se o gato apresentar:

  • convulsão, tremores, desmaio ou dificuldade para ficar em pé;
  • respiração acelerada ou com esforço;
  • gengivas pálidas ou amareladas;
  • urina escura ou avermelhada;
  • vômitos repetidos, diarreia intensa ou salivação excessiva;
  • agitação extrema ou, ao contrário, apatia profunda.

Esses sinais aparecem nas descrições do Merck para intoxicação por cebola, alho e chocolate, na revisão da Veterinária em Foco e na lista de sintomas do projeto Petmosfera, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ-USP). O mesmo projeto alerta que plantas comuns em casa, como comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, antúrio e azaleia, também estão entre as causas frequentes de intoxicação.

Marque uma consulta em breve se notar:

  • vômito ou diarreia depois de introduzir um alimento novo (o guia sobre gato vomitando ajuda a diferenciar o normal do alerta);
  • coceira, falhas no pelo ou feridas que surgiram após uma mudança na dieta;
  • ganho de peso, ou perda de peso sem motivo aparente;
  • sede ou volume de urina maiores do que o habitual.

Para acompanhar a saúde dele em cada fase da vida, o guia de saúde de cães e gatos resume os cuidados de prevenção.

Menos variedade, mais cuidado: o prato ideal do gato

Resumindo o que gato pode comer: ração completa e balanceada como base, água fresca sempre e, se quiser agradar, um pouco de carne magra, peixe ou ovo cozidos, sem tempero, dentro do limite de 10% das calorias. Cebola, alho, chocolate, uva, xilitol, álcool, cafeína, leite, comida crua e ossos ficam de fora. Se em casa também tem cachorro, as regras dele são diferentes: o guia de alimentação de cachorro explica o que dar, quanto e quando.

E aquele olhar fixo do seu gato na beira da mesa, esperando o pedacinho de frango sem tempero, é o tipo de foto que todo tutor guarda no celular. Que tal eternizar a foto dele no mural de 1 milhão de pets? É só escolher os quadradinhos, enviar a foto e o nome e pagar por PIX, em minutos.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário. Se o seu pet apresentar sinais de emergência, procure atendimento imediatamente.

Perguntas frequentes

Gato pode tomar leite?

Não é recomendado. O Cornell Feline Health Center explica que muitos gatos têm intolerância à lactose e podem ter problemas gastrointestinais com laticínios, e a WSAVA coloca leite e derivados na lista de ingredientes a evitar. A bebida certa para o gato é água fresca, sempre disponível.

Gato pode comer ração de cachorro?

Não como alimentação regular. Segundo o Manual Merck de Veterinária, a ração de cachorro tem menos proteína, muitas vezes não garante a taurina e pode não ter vitamina A pré-formada nem ácido araquidônico, que o gato precisa receber pronto na dieta. Uma beliscada eventual não é emergência, mas não pode virar hábito.

Gato pode comer atum ou sardinha em lata?

Só de vez em quando e em pouca quantidade, de preferência em água e sem sal. O Cornell Feline Health Center relata que alguns gatos que comeram peixe enlatado feito para humanos desenvolveram distúrbios neurológicos potencialmente graves, e o Manual Merck registra que grandes quantidades de atum em lata já causaram deficiência de vitamina E e esteatite (doença da gordura amarela).

Gato pode comer ovo?

Pode, se for bem cozido, sem sal e em pequena porção. O ovo cru deve ser evitado: a clara crua tem avidina, que impede a absorção da biotina, segundo o Manual Merck, e a ASPCA alerta para o risco de Salmonella e E. coli.

Gato pode comer frutas?

Algumas, em pedaços pequenos e sem casca, semente ou caroço: maçã sem sementes e sem miolo, banana, melão, morango, mirtilo e kiwi aparecem entre as opções seguras da ASPCA e do VCA Animal Hospitals. Uva e uva-passa nunca. Como o gato não sente o gosto doce, muitos simplesmente ignoram a fruta, e ela não faz falta na dieta.

Quanto de cebola faz mal ao gato?

Muito pouco, e não existe quantidade que se possa considerar segura. O Manual Merck de Veterinária relata intoxicação em gatos após a ingestão de menos de uma colher de chá de cebola cozida. O gato é a espécie mais sensível, o alho é de 3 a 5 vezes mais tóxico que a cebola e as formas concentradas, como cebola e alho em pó, são as mais ligadas aos casos.

Fontes consultadas

  1. People Foods to Avoid Feeding Your Pets (ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals))
  2. Sharing is Caring: Foods You Can Safely Share with Your Pet (ASPCA, 2021)
  3. Feeding treats to your cat (WSAVA Global Nutrition Committee)
  4. Feeding your cat (Cornell Feline Health Center, Cornell University College of Veterinary Medicine)
  5. Garlic and Onion (Allium spp) Toxicosis in Animals (Merck Veterinary Manual)
  6. Nutritional Requirements of Small Animals (Merck Veterinary Manual)
  7. Dog and Cat Foods (Merck Veterinary Manual)
  8. Proper Nutrition for Cats (Merck Veterinary Manual (versão para tutores))
  9. Food Hazards (Merck Veterinary Manual (versão para tutores))
  10. Chocolate Toxicosis in Animals (Merck Veterinary Manual)
  11. Fall food dos and don'ts for cats (VCA Animal Hospitals)
  12. Intoxicações em cães e gatos por alimentos humanos: o que não fornecer aos animais? (Veterinária em Foco, v. 11, n. 1, 2013 (Waller, Cleff e Mello; UFPel e UFRGS))
  13. Projeto da medicina veterinária alerta os tutores de cães e gatos para intoxicações por plantas e alimentos (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ-USP), 2022)
  14. Pseudogenization of a Sweet-Receptor Gene Accounts for Cats' Indifference toward Sugar (PLOS Genetics, 2005 (Li et al.))

Foto da capa: Kim Siever, via Flickr (Domínio público).