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Porquinho-da-índia: cuidados, alimentação, vitamina C e convivência

Porquinho-da-índia: quanto vive, espaço certo, dieta com feno e vitamina C, por que viver em dupla, o que os sons dele dizem e os sinais de emergência.

Publicado em 17 min de leitura

Porquinho-da-índia marrom e branco ao ar livre

Resposta rápida

O porquinho-da-índia é um roedor sul-americano dócil, ativo de dia e muito falante, que vive de 5 a 8 anos. Ele precisa de feno à vontade, verduras frescas todos os dias, pouca ração própria da espécie e vitamina C diária, porque não produz essa vitamina. Deve viver com outro porquinho, em espaço amplo de piso sólido, num ambiente fresco (18 a 24 °C). Se parar de comer, é caso de veterinário no mesmo dia.

Em resumo

  • Porquinho-da-índia vive de 5 a 8 anos, segundo o Merck Veterinary Manual.
  • Feno e capim são de 85% a 90% da dieta; verduras todo dia e ração própria em pouca quantidade.
  • Ele não produz vitamina C: sem ela na comida, desenvolve escorbuto.
  • Nunca deve viver sozinho, nem dividir o espaço com coelho.
  • Calor acima de 26 a 27 °C já traz risco de insolação.
  • Parou de comer, respira com dificuldade ou faz xixi com sangue? Veterinário no mesmo dia.

O porquinho-da-índia é um dos pets mais simpáticos que cabem num apartamento: ativo de dia, falante e capaz de dar pulos de alegria no meio da sala. Para viver bem, de 5 a 8 anos, ele precisa de quatro coisas que a gaiola de vitrine não entrega: feno à vontade, vitamina C todos os dias, espaço com piso sólido e pelo menos um companheiro da mesma espécie.

Apesar do nome, ele não é porco nem veio da Índia. É um roedor de origem sul-americana, e a espécie doméstica (Cavia porcellus) não existe na natureza, segundo o Merck Veterinary Manual. Ou seja: tudo o que ele precisa para ser saudável depende do que a gente oferece em casa.

Neste guia você vai encontrar a ficha técnica, o espaço e a temperatura certos, o cardápio com o que nunca dar, como entender os sons dele, como formar uma dupla que dá certo e os sinais que pedem veterinário no mesmo dia.

Ficha técnica do porquinho-da-índia

ItemReferência
Espécieporquinho-da-índia ou cobaia (Cavia porcellus), com pelo menos 13 raças reconhecidas, de pelo curto, com redemoinhos (rosetas) ou longo (Merck Veterinary Manual)
Expectativa de vida5 a 8 anos (Merck Veterinary Manual)
Peso adultomachos de 900 g a 1,2 kg; fêmeas de 700 a 900 g (VCA)
Horário de atividadeativo principalmente de dia (Merck Veterinary Manual), com até 20 horas de atividade e só cochilos curtos (RSPCA)
Espaço mínimocerca de 106 x 61 cm de piso para um animal, mais 0,2 a 0,4 m² para cada porquinho extra (Merck Veterinary Manual)
Temperatura ideal18 a 24 °C, com umidade do ar abaixo de 50% (Merck Veterinary Manual)
Dietafeno e capim à vontade (85% a 90% do que ele come), verduras todos os dias e pouca ração própria (PDSA)
Vitamina Cobrigatória na comida, porque ele não produz (Merck Veterinary Manual)
Dentes20, que crescem a vida inteira (Merck Veterinary Manual)
Companhiamuito social; deve viver com pelo menos outro porquinho
Situação legalfauna doméstica, na lista do Anexo 1 da Portaria Ibama 93/1998

O porquinho em si costuma ser o item mais barato da conta. O que pesa no orçamento é o recinto amplo, o feno de boa qualidade todos os dias, as verduras frescas e as consultas com um veterinário de pets não convencionais, que vale encontrar antes de precisar.

Porquinho-da-índia é um bom pet para a sua casa?

Para muita família, é. O Merck Veterinary Manual descreve o porquinho-da-índia como dócil, social e vocal, que raramente morde quando é manuseado com calma. E, ao contrário de hamster e chinchila, ele é ativo de dia, então está acordado quando a casa está acordada. A PDSA (People’s Dispensary for Sick Animals), entidade veterinária beneficente do Reino Unido, conta que muitos recebem o tutor com guinchos de alegria.

Mas vale fazer a conta honesta antes:

  • Tempo: são de 5 a 8 anos de compromisso. A RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals), entidade britânica de proteção animal, fala em 5 a 6 anos como o mais comum, e a VCA, rede americana de hospitais veterinários, registra porquinhos que chegam a 8 ou 10 anos.
  • Companhia: você vai cuidar de pelo menos dois, não de um (mais sobre isso adiante).
  • Colo: a PDSA explica que, como presas, eles preferem ser observados, acariciados e receber petiscos no chão. Quem quer um bicho para carregar no colo pode se frustrar.
  • Limpeza: comem e fazem cocô o dia inteiro, e o recinto pede faxina leve diária.
  • Criança: participa, mas quem cuida é o adulto.

Se você ainda está comparando espécies, o guia de animais de estimação além de cães e gatos põe lado a lado expectativa de vida, espaço e rotina de cada um, e o guia do hamster mostra a diferença para um roedor noturno e solitário. Fora dos roedores, a calopsita pede horas diárias de convivência fora da gaiola e o peixe betta precisa de aquário com filtro e aquecedor, não de pote. Pense também na adoção: porquinhos aparecem em ONGs e grupos de resgate, e o passo a passo da adoção de cachorro e gato vale também para eles.

Um alerta legal. O porquinho-da-índia está na lista de fauna doméstica do Ibama. Já o preá, parente silvestre que vive solto no Brasil, não é pet: apanhar ou manter em cativeiro fauna silvestre sem autorização é crime previsto no artigo 29 da Lei 9.605/1998.

Onde o porquinho-da-índia deve morar: espaço, piso e temperatura

A gaiola pequena de pet shop não basta. O Merck Veterinary Manual pede no mínimo cerca de 106 x 61 cm de piso para um animal, com uns 46 cm de altura, e mais espaço para cada companheiro: para uma dupla, a conta fica perto de 1 m². A VCA fala em 60 x 90 cm como mínimo para um, sempre com a ressalva de que maior é melhor. Na prática, em casa ou apartamento, isso costuma ser um cercado amplo no chão.

O que não pode faltar:

  • Piso sólido, nunca de grade. A RSPCA pede piso sólido, e a VCA associa o fundo de arame à pododermatite, feridas dolorosas na sola das patas.
  • Forração de papel. Merck e VCA preferem forração à base de papel. O Merck pede evitar serragem, maravalha de cedro ou de pinho sem tratamento e areia de gato.
  • Feno também como cama. A PDSA sugere uma camada funda, de 10 a 15 cm, para ele se enfiar e se esconder.
  • Esconderijos de sobra. A RSPCA recomenda ter um esconderijo a mais do que o número de porquinhos, para ninguém ficar sem refúgio.
  • Túneis largos, de pelo menos 13 cm de diâmetro (Merck Veterinary Manual).
  • Nada de rodinha de exercício. O Merck Veterinary Manual desaconselha pelo risco de lesão: porquinho se exercita andando e explorando o espaço.

O cômodo certo. Em entrevista ao Diário do Nordeste em 2021, o veterinário Raphael William Ponte Neres, residente em medicina de animais selvagens e exóticos na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), apontou como prejudiciais os ambientes úmidos e frios (como banheiros), a proximidade da cozinha e os lugares quentes demais ou com muito vento. Ambiente calmo, sem barulho constante, ajuda um animal que se estressa com facilidade.

Cuidado com o calor. O Merck Veterinary Manual coloca a faixa confortável entre 18 e 24 °C. A PDSA diz que acima de 24 °C ele já fica desconfortável e que acima de 27 °C existe risco de insolação, e a RSPCA põe esse limite em 26 °C. No verão brasileiro, isso é rotina: mantenha o recinto longe do sol direto, em cômodo ventilado e com água fresca. A lógica das dicas para cachorro com calor vale aqui, e a PDSA lembra que a insolação pode ser fatal. No inverno do Sul do país, vale o limite oposto: a RSPCA lembra que abaixo de 15 °C ele sente frio demais.

Passeio pela casa, só com supervisão. O Merck Veterinary Manual lista os riscos: ser pisado, cair de lugares altos, roer fios e plantas tóxicas e ser atacado por cães, gatos ou furões.

O que o porquinho-da-índia come: feno, verduras, ração e petiscos

A regra de ouro é feno primeiro. Segundo a PDSA, feno e capim devem ser de 85% a 90% da dieta, à vontade, dia e noite. Mastigar fibra o tempo todo desgasta os dentes que não param de crescer e mantém o intestino funcionando. O cardápio diário fica assim:

  • Feno de capim à vontade, como o timothy (Merck Veterinary Manual).
  • Verduras frescas e lavadas: cerca de uma xícara por porquinho por dia, com cinco a seis tipos diferentes, segundo a PDSA.
  • Ração própria para porquinho-da-índia, em pouca quantidade: uma colher de sopa por adulto por dia, segundo a PDSA (o Merck fala em cerca de duas). Prefira a de grãos uniformes, à base de capim. O Merck explica que as rações com alfafa têm mais cálcio e servem para filhotes e gestantes, enquanto as de capim são melhores para adultos. Ração de coelho não serve, porque não tem vitamina C suficiente para ele.
  • Água limpa o tempo todo, de preferência em bebedouro de bico, lavado e reabastecido diariamente. O Merck pede evitar água destilada ou com muitos minerais.

Retire as verduras que sobrarem depois de algumas horas, para não estragarem. E qualquer mudança de alimento deve ser gradual, ao longo de duas a quatro semanas, como orienta a PDSA, porque uma troca brusca pode fazê-lo parar de comer.

FrequênciaExemplos (RSPCA, PDSA, Merck, VCA)
Todo diafeno à vontade; alface romana ou crespa (verde ou roxa), pimentão, pepino, salsão, folhas de cenoura, coentro
Algumas vezes por semanabrócolis, couve, espinafre e salsinha (mais ricos em cálcio)
Petisco ocasional, em pedaços pequenoscenoura, maçã sem sementes, pera, morango, banana, kiwi, melão
Nuncaalface americana, batata e a casca dela, cebola, alho, cebolinha, cogumelos, folhas e ramas do tomateiro, abacate, ruibarbo, coco, grama de cortador, ração em mistura colorida tipo muesli

Folhas ricas em cálcio, em excesso, podem favorecer pedras na bexiga, alerta o Merck Veterinary Manual. Já o abacate entra no “nunca” por causa da persina: o Merck Veterinary Manual lista porquinhos-da-índia, coelhos e aves entre as espécies sensíveis a essa toxina, enquanto os cães parecem relativamente resistentes, como explicamos no texto sobre cachorro pode comer abacate.

Vitamina C: o cuidado que não pode faltar

Como nós, humanos, o porquinho-da-índia não fabrica vitamina C. Ela precisa vir da comida, todos os dias. O Merck Veterinary Manual estima a necessidade em pelo menos 10 mg por quilo de peso ao dia, e o triplo na gestação. “Muitos tutores não sabem disso, e o animal acaba sofrendo com escorbuto, uma doença evitável com alimentação adequada”, disse à Itatiaia, em 2025, a veterinária Ariane Prado, do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Como garantir na prática:

  1. Verduras ricas em vitamina C todo dia. O pimentão aparece nas listas da RSPCA, da VCA e do Merck; brócolis, couve e salsinha também entram, com moderação por causa do cálcio.
  2. Ração fresca. A vitamina C da ração se degrada com o tempo, o calor e a luz. A PDSA recomenda guardar em local seco, fresco e escuro e usar em até três meses depois da compra; a VCA prefere trocar em até 90 dias da data de fabricação. Confira a data na embalagem.
  3. Nada de vitamina na água. Merck, PDSA e VCA desaconselham: a luz enfraquece a vitamina, e o gosto pode fazer o porquinho beber menos.
  4. Suplemento, só com o veterinário. Se houver dúvida sobre a dieta, é ele quem avalia se é preciso suplementar e como.

Fique de olho nos sinais de falta de vitamina C descritos pelo Merck: pelo áspero, manqueira, articulações inchadas, perda de peso e de apetite, diarreia, problemas nos dentes e sangramentos. Qualquer um deles pede consulta.

Por que o porquinho-da-índia precisa de companhia

Porque ele é um animal de bando. Na natureza, segundo a RSPCA, os porquinhos vivem em grupos familiares de 5 a 10 indivíduos, e sozinhos ficam solitários. A PDSA recomenda grupos de três ou mais, e a VCA lembra que em alguns países manter um porquinho sozinho é proibido. Você é companhia importante, mas não fala “porquinhês” nem passa a noite ao lado dele.

As combinações que costumam funcionar, segundo a RSPCA:

  1. Duas fêmeas.
  2. Irmãos criados juntos.
  3. Um macho castrado com uma ou mais fêmeas. A castração evita a gravidez e, segundo a RSPCA, não muda o temperamento dele.

Separe os sexos cedo. A PDSA alerta que fêmeas podem engravidar a partir de três semanas de vida. Peça ao veterinário para confirmar o sexo dos filhotes. Gravidez não planejada é risco real: a VCA explica que fêmeas que não tiveram a primeira ninhada antes de cerca de 8 meses têm mais chance de parto difícil, porque os ossos da pelve se fundem.

Apresente aos poucos. A RSPCA recomenda o primeiro encontro em território neutro, novo para os dois, com supervisão. Machos adultos que não se conhecem podem brigar; se houver mordidas ou perseguição insistente, separe e peça ajuda.

Porquinho e coelho não devem morar juntos. Eles se comunicam de formas diferentes, têm dietas distintas e o coelho pode machucar o porquinho, explicam RSPCA e PDSA. A PDSA acrescenta que coelhos carregam a bactéria Bordetella bronchiseptica, que pode deixar o porquinho muito doente. Se você gosta das duas espécies, veja o guia do coelho de estimação e monte habitats separados. Cães e gatos também pedem distância: o Merck lembra que o contato com outros pets estressa o porquinho e aumenta o risco de doenças.

Como pegar o porquinho-da-índia no colo

Para uma presa, ser levantado do chão é assustador. Sempre que possível, sente no chão e deixe que ele venha até você. Quando precisar pegá-lo, siga a PDSA:

  • Uma mão sob o peito e a outra sob as patas traseiras.
  • Segure junto ao corpo, para ele não pular.
  • Fique perto do chão, para reduzir o tombo se ele escapar.
  • Nunca o vire de barriga para cima.
  • Criança faz carinho e dá petisco no chão, com um adulto por perto.

Acostumar o porquinho ao contato desde cedo, com calma, ajuda muito na hora de ir ao veterinário.

Sons e comportamento: o que o porquinho-da-índia está dizendo

Quem convive com porquinho descobre rápido que ele conversa o dia inteiro. O Merck Veterinary Manual descreve guinchos, chilreios e um som de dentes que lembra um ronronar. A tabela resume os sinais mais citados por Merck, PDSA, RSPCA e VCA (inclusive no guia de boas práticas da RSPCA traduzido para o português):

O que ele fazO que costuma significar
Pula, gira e saltita no ar (o “popcorn”)brincadeira e animação, sinal de bem-estar
Guincha alto quando você chegaalegria e expectativa
Fica imóvel de repente, como uma estátuasusto: estressado, ele pode ficar paralisado por até 30 minutos
Se esconde o tempo todoestresse ou medo
Rói a grade, anda em círculos ou mordisca o bebedouro sem pararestresse; reveja espaço, esconderijos e companhia
Se coça ou se lambe demais, ou tem falhas no peloestresse, ácaros, piolhos ou fungos: vale consulta
Fica encolhido, range os dentes, não quer ser tocado ou guincha altodor: procure o veterinário

O popcorn é o melhor elogio que um porquinho pode fazer ao seu cuidado. E se você conseguir registrar um na câmera, guarde bem: é o retrato perfeito para eternizar seu porquinho no mural de 1 milhão de pets.

Higiene: limpeza do recinto, unhas, pelo e banho

Limpeza do recinto. Todo dia, tire a forração molhada, as sobras de comida fresca e lave potes e bebedouro. Uma vez por semana, faça uma limpeza mais completa (RSPCA e Merck). A PDSA sugere ainda, todo mês, esvaziar tudo, esfregar com produto seguro para pets e só devolver os animais com o recinto bem seco.

Dentes e unhas. A RSPCA pede conferir os dentes da frente e as unhas toda semana, porque crescem rápido. O Merck indica cortar as unhas a cada poucas semanas, sem atingir o vaso sanguíneo. Dentes tortos ou compridos, só o veterinário corrige.

Pelo. Porquinhos de pelo longo precisam de escovação diária; os de pelo curto, uma ou duas vezes por semana, segundo a PDSA.

Banho, só se for preciso. O Merck lembra que porquinho raramente precisa de banho, só quando está sujo. O veterinário ouvido pelo Diário do Nordeste orienta, nesses casos, água morna, cuidado com os ouvidos para não causar otite, produto próprio para a espécie e secagem completa.

Bumbum limpo e balança por perto. No calor, a RSPCA pede checar a região traseira duas vezes ao dia: pelo sujo de xixi ou cocô atrai moscas e pode levar à miíase, muitas vezes fatal. E não estranhe se ele comer um cocô mole direto do bumbum: são os cecotrofos, e reingeri-los é normal, explica a PDSA. Pesar o porquinho com regularidade, numa balança de cozinha, é o jeito mais simples de perceber cedo que algo mudou.

Saúde do porquinho-da-índia e quando procurar o veterinário

O Merck Veterinary Manual recomenda pelo menos uma consulta de rotina por ano com veterinário experiente na espécie. Porquinhos não precisam de vacinas. Os problemas mais comuns, segundo Merck e VCA, são:

  • Dentes desalinhados, que crescem demais e machucam a boca (por genética, pouco feno ou falta de vitamina C).
  • Pneumonia, uma das principais causas de morte, principalmente nos jovens.
  • Pedras na urina, às quais a espécie é muito propensa; nos machos, podem obstruir a uretra.
  • Escorbuto, pela falta de vitamina C.
  • Ácaros e micoses de pele. A VCA lembra que a micose pode passar para pessoas: use luvas ao manusear um porquinho com lesões.
  • Cistos nos ovários, comuns em fêmeas com mais de um ano.

Remédios. Nunca medique o porquinho por conta própria nem use produtos de cão ou gato. A VCA alerta que alguns antibióticos causam diarreia fatal na espécie e só devem ser usados com orientação de um veterinário que conheça porquinhos.

Sinais de emergência

Porquinhos escondem a doença e podem piorar rápido, e o tratamento precoce costuma ser decisivo, segundo o Merck Veterinary Manual. Procure um veterinário de pets não convencionais no mesmo dia se notar:

  • Falta de apetite, mesmo parcial. A PDSA lembra que parar de comer é muito sério na espécie, e a VCA explica que a estase gastrointestinal, que costuma aparecer como falta de apetite, pode matar.
  • Diarreia ou cocô muito menor e em menor quantidade.
  • Respiração rápida, ruidosa ou com esforço, espirros e secreção nos olhos ou no nariz. Dificuldade para respirar é emergência.
  • Sangue na urina, esforço para urinar ou guinchos ao fazer xixi (VCA).
  • Postura encolhida, barriga estufada, ranger de dentes ou dor ao ser tocado.
  • Baba, dentes compridos ou inchaço na mandíbula.
  • Cabeça inclinada para um lado, que pode indicar infecção no ouvido.
  • Manqueira, articulações inchadas ou pelo áspero, sinais possíveis de escorbuto.
  • Perda de peso perceptível na balança.
  • Prostração em dia quente, principalmente acima de 26 °C.

Não espere o dia seguinte para ver se melhora.

Erros mais comuns com porquinho-da-índia

  1. Ter um porquinho só.
  2. Gaiola pequena com fundo de grade.
  3. Ração de coelho ou mistura colorida de sementes no lugar da ração própria.
  4. Pouco feno e muita fruta.
  5. Confiar na vitamina C pingada na água.
  6. Esquecer a ração aberta por meses, perto do sol.
  7. Alface americana, batata ou abacate no prato.
  8. Juntar com coelho, ou macho e fêmea sem castração.
  9. Rodinha de exercício e banho frequente.
  10. Recinto no sol, na cozinha ou no banheiro.
  11. Esperar quando ele para de comer.

E um alerta que não deveria ser necessário: soltar um porquinho-da-índia na rua, num parque ou num terreno não é libertá-lo. Ele não sabe sobreviver sozinho, e maus-tratos a animais domésticos são crime previsto no artigo 32 da Lei 9.605/1998. Se não puder mais cuidar dele, procure uma ONG ou um novo lar responsável.

Um companheiro pequeno, falante e para muitos anos

Porquinho-da-índia bem cuidado é feno à vontade, pimentão no prato, um recinto amplo e fresco, um amigo da mesma espécie e um tutor atento ao apetite de cada dia. Em troca, ele oferece anos de guinchos de boas-vindas, conversas animadas e aqueles pulos de popcorn que alegram qualquer casa.

Se você está montando a família de bichos da casa, o guia de animais de estimação além de cães e gatos ajuda a pensar no conjunto. E se a sua dupla de porquinhos já é da família, ela merece um lugar especial: dá para colocar a foto e o nome deles no mural de 1 milhão de pets, onde cada quadradinho custa R$ 1 e o Brasil inteiro vê.

Perguntas frequentes

Quanto tempo vive um porquinho-da-índia?

Em geral de 5 a 8 anos, segundo o Merck Veterinary Manual. A RSPCA, entidade britânica de proteção animal, fala em 5 a 6 anos como o mais comum, e a rede veterinária VCA registra animais que chegam a 8 a 10 anos. Feno à vontade, vitamina C diária, companhia, ambiente fresco e consulta anual ajudam a mantê-lo saudável por mais tempo.

Porquinho-da-índia pode viver sozinho?

Não é o indicado. Ele é muito social e, na natureza, vive em grupos familiares de 5 a 10 animais, segundo a RSPCA. O mínimo é uma dupla, e a PDSA, entidade veterinária britânica, prefere grupos de três ou mais. As combinações mais tranquilas são duas fêmeas, irmãos criados juntos ou um macho castrado com uma ou mais fêmeas.

Porquinho-da-índia pode tomar banho?

Só quando ele estiver realmente sujo: o Merck Veterinary Manual lembra que porquinho raramente precisa de banho. Nesse caso, um veterinário ouvido pelo Diário do Nordeste orienta água morna, cuidado com os ouvidos, produto próprio para a espécie e secagem completa. No dia a dia, escovação (diária nos de pelo longo) e limpeza do recinto resolvem.

O que o porquinho-da-índia não pode comer?

Segundo PDSA e RSPCA, ficam de fora alface americana, batata e a casca dela, cebola, alho, cebolinha, cogumelos, folhas e ramas do tomateiro, abacate, ruibarbo, coco e grama de cortador, além da ração em mistura colorida tipo muesli. E o Merck Veterinary Manual lembra que ração de coelho não serve, porque não tem vitamina C suficiente para ele.

Porquinho-da-índia pode morar com coelho?

Não. A RSPCA e a PDSA desaconselham: as duas espécies se comunicam de jeitos diferentes, comem coisas diferentes e o coelho pode machucar o porquinho. A PDSA lembra ainda que coelhos carregam a bactéria Bordetella bronchiseptica, que pode deixar o porquinho muito doente.

Porquinho-da-índia morde?

Raramente, quando é manuseado com calma, segundo o Merck Veterinary Manual. Como é presa na natureza, ele se assusta quando é levantado do chão. Prefira o carinho no chão, ofereça petiscos na mão e, ao pegar, apoie o peito com uma mão e as patas traseiras com a outra.

Fontes consultadas

  1. Description and Physical Characteristics of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
  2. Unique Needs of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
  3. Providing a Home for a Guinea Pig (Merck Veterinary Manual)
  4. Diet for a Guinea Pig (Merck Veterinary Manual)
  5. Nutritional Problems of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
  6. Routine Care of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
  7. Common Health Problems of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
  8. Avocado Toxicosis in Animals (Merck Veterinary Manual)
  9. Keeping guinea pigs as pets (RSPCA)
  10. What to feed a guinea pig (RSPCA)
  11. Creating a good home for guinea pigs (RSPCA)
  12. Keeping guinea pigs together (RSPCA)
  13. Know your guinea pig is happy (RSPCA)
  14. Guinea pig health and welfare tips (RSPCA)
  15. Guinea pigs as pets (PDSA)
  16. Your guinea pig's diet (PDSA)
  17. The ideal home for your guinea pigs (PDSA)
  18. Guinea pig health (PDSA)
  19. Feeding Guinea Pigs (VCA Animal Hospitals)
  20. Owning Guinea Pigs (VCA Animal Hospitals)
  21. Health Problems in Guinea Pigs (VCA Animal Hospitals)
  22. Porquinhos-da-Índia: boas práticas de alojamento e cuidados (RSPCA, tradução em português) (Unoesc)
  23. Mini coelhos e porquinhos-da-índia encantam tutores, mas exigem cuidados específicos (Itatiaia)
  24. Porquinho-da-Índia: cuidados no manuseio, alimentação e higiene em casa (Diário do Nordeste)
  25. Portaria Ibama nº 93/1998, Anexo 1: listagem de fauna considerada doméstica (Ibama)
  26. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) (Câmara dos Deputados)

Foto da capa: andymiccone, via Flickr (CC0 (domínio público)).