Resposta rápida
O porquinho-da-índia é um roedor sul-americano dócil, ativo de dia e muito falante, que vive de 5 a 8 anos. Ele precisa de feno à vontade, verduras frescas todos os dias, pouca ração própria da espécie e vitamina C diária, porque não produz essa vitamina. Deve viver com outro porquinho, em espaço amplo de piso sólido, num ambiente fresco (18 a 24 °C). Se parar de comer, é caso de veterinário no mesmo dia.
Em resumo
- Porquinho-da-índia vive de 5 a 8 anos, segundo o Merck Veterinary Manual.
- Feno e capim são de 85% a 90% da dieta; verduras todo dia e ração própria em pouca quantidade.
- Ele não produz vitamina C: sem ela na comida, desenvolve escorbuto.
- Nunca deve viver sozinho, nem dividir o espaço com coelho.
- Calor acima de 26 a 27 °C já traz risco de insolação.
- Parou de comer, respira com dificuldade ou faz xixi com sangue? Veterinário no mesmo dia.
O porquinho-da-índia é um dos pets mais simpáticos que cabem num apartamento: ativo de dia, falante e capaz de dar pulos de alegria no meio da sala. Para viver bem, de 5 a 8 anos, ele precisa de quatro coisas que a gaiola de vitrine não entrega: feno à vontade, vitamina C todos os dias, espaço com piso sólido e pelo menos um companheiro da mesma espécie.
Apesar do nome, ele não é porco nem veio da Índia. É um roedor de origem sul-americana, e a espécie doméstica (Cavia porcellus) não existe na natureza, segundo o Merck Veterinary Manual. Ou seja: tudo o que ele precisa para ser saudável depende do que a gente oferece em casa.
Neste guia você vai encontrar a ficha técnica, o espaço e a temperatura certos, o cardápio com o que nunca dar, como entender os sons dele, como formar uma dupla que dá certo e os sinais que pedem veterinário no mesmo dia.
Ficha técnica do porquinho-da-índia
| Item | Referência |
|---|---|
| Espécie | porquinho-da-índia ou cobaia (Cavia porcellus), com pelo menos 13 raças reconhecidas, de pelo curto, com redemoinhos (rosetas) ou longo (Merck Veterinary Manual) |
| Expectativa de vida | 5 a 8 anos (Merck Veterinary Manual) |
| Peso adulto | machos de 900 g a 1,2 kg; fêmeas de 700 a 900 g (VCA) |
| Horário de atividade | ativo principalmente de dia (Merck Veterinary Manual), com até 20 horas de atividade e só cochilos curtos (RSPCA) |
| Espaço mínimo | cerca de 106 x 61 cm de piso para um animal, mais 0,2 a 0,4 m² para cada porquinho extra (Merck Veterinary Manual) |
| Temperatura ideal | 18 a 24 °C, com umidade do ar abaixo de 50% (Merck Veterinary Manual) |
| Dieta | feno e capim à vontade (85% a 90% do que ele come), verduras todos os dias e pouca ração própria (PDSA) |
| Vitamina C | obrigatória na comida, porque ele não produz (Merck Veterinary Manual) |
| Dentes | 20, que crescem a vida inteira (Merck Veterinary Manual) |
| Companhia | muito social; deve viver com pelo menos outro porquinho |
| Situação legal | fauna doméstica, na lista do Anexo 1 da Portaria Ibama 93/1998 |
O porquinho em si costuma ser o item mais barato da conta. O que pesa no orçamento é o recinto amplo, o feno de boa qualidade todos os dias, as verduras frescas e as consultas com um veterinário de pets não convencionais, que vale encontrar antes de precisar.
Porquinho-da-índia é um bom pet para a sua casa?
Para muita família, é. O Merck Veterinary Manual descreve o porquinho-da-índia como dócil, social e vocal, que raramente morde quando é manuseado com calma. E, ao contrário de hamster e chinchila, ele é ativo de dia, então está acordado quando a casa está acordada. A PDSA (People’s Dispensary for Sick Animals), entidade veterinária beneficente do Reino Unido, conta que muitos recebem o tutor com guinchos de alegria.
Mas vale fazer a conta honesta antes:
- Tempo: são de 5 a 8 anos de compromisso. A RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals), entidade britânica de proteção animal, fala em 5 a 6 anos como o mais comum, e a VCA, rede americana de hospitais veterinários, registra porquinhos que chegam a 8 ou 10 anos.
- Companhia: você vai cuidar de pelo menos dois, não de um (mais sobre isso adiante).
- Colo: a PDSA explica que, como presas, eles preferem ser observados, acariciados e receber petiscos no chão. Quem quer um bicho para carregar no colo pode se frustrar.
- Limpeza: comem e fazem cocô o dia inteiro, e o recinto pede faxina leve diária.
- Criança: participa, mas quem cuida é o adulto.
Se você ainda está comparando espécies, o guia de animais de estimação além de cães e gatos põe lado a lado expectativa de vida, espaço e rotina de cada um, e o guia do hamster mostra a diferença para um roedor noturno e solitário. Fora dos roedores, a calopsita pede horas diárias de convivência fora da gaiola e o peixe betta precisa de aquário com filtro e aquecedor, não de pote. Pense também na adoção: porquinhos aparecem em ONGs e grupos de resgate, e o passo a passo da adoção de cachorro e gato vale também para eles.
Um alerta legal. O porquinho-da-índia está na lista de fauna doméstica do Ibama. Já o preá, parente silvestre que vive solto no Brasil, não é pet: apanhar ou manter em cativeiro fauna silvestre sem autorização é crime previsto no artigo 29 da Lei 9.605/1998.
Onde o porquinho-da-índia deve morar: espaço, piso e temperatura
A gaiola pequena de pet shop não basta. O Merck Veterinary Manual pede no mínimo cerca de 106 x 61 cm de piso para um animal, com uns 46 cm de altura, e mais espaço para cada companheiro: para uma dupla, a conta fica perto de 1 m². A VCA fala em 60 x 90 cm como mínimo para um, sempre com a ressalva de que maior é melhor. Na prática, em casa ou apartamento, isso costuma ser um cercado amplo no chão.
O que não pode faltar:
- Piso sólido, nunca de grade. A RSPCA pede piso sólido, e a VCA associa o fundo de arame à pododermatite, feridas dolorosas na sola das patas.
- Forração de papel. Merck e VCA preferem forração à base de papel. O Merck pede evitar serragem, maravalha de cedro ou de pinho sem tratamento e areia de gato.
- Feno também como cama. A PDSA sugere uma camada funda, de 10 a 15 cm, para ele se enfiar e se esconder.
- Esconderijos de sobra. A RSPCA recomenda ter um esconderijo a mais do que o número de porquinhos, para ninguém ficar sem refúgio.
- Túneis largos, de pelo menos 13 cm de diâmetro (Merck Veterinary Manual).
- Nada de rodinha de exercício. O Merck Veterinary Manual desaconselha pelo risco de lesão: porquinho se exercita andando e explorando o espaço.
O cômodo certo. Em entrevista ao Diário do Nordeste em 2021, o veterinário Raphael William Ponte Neres, residente em medicina de animais selvagens e exóticos na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), apontou como prejudiciais os ambientes úmidos e frios (como banheiros), a proximidade da cozinha e os lugares quentes demais ou com muito vento. Ambiente calmo, sem barulho constante, ajuda um animal que se estressa com facilidade.
Cuidado com o calor. O Merck Veterinary Manual coloca a faixa confortável entre 18 e 24 °C. A PDSA diz que acima de 24 °C ele já fica desconfortável e que acima de 27 °C existe risco de insolação, e a RSPCA põe esse limite em 26 °C. No verão brasileiro, isso é rotina: mantenha o recinto longe do sol direto, em cômodo ventilado e com água fresca. A lógica das dicas para cachorro com calor vale aqui, e a PDSA lembra que a insolação pode ser fatal. No inverno do Sul do país, vale o limite oposto: a RSPCA lembra que abaixo de 15 °C ele sente frio demais.
Passeio pela casa, só com supervisão. O Merck Veterinary Manual lista os riscos: ser pisado, cair de lugares altos, roer fios e plantas tóxicas e ser atacado por cães, gatos ou furões.
O que o porquinho-da-índia come: feno, verduras, ração e petiscos
A regra de ouro é feno primeiro. Segundo a PDSA, feno e capim devem ser de 85% a 90% da dieta, à vontade, dia e noite. Mastigar fibra o tempo todo desgasta os dentes que não param de crescer e mantém o intestino funcionando. O cardápio diário fica assim:
- Feno de capim à vontade, como o timothy (Merck Veterinary Manual).
- Verduras frescas e lavadas: cerca de uma xícara por porquinho por dia, com cinco a seis tipos diferentes, segundo a PDSA.
- Ração própria para porquinho-da-índia, em pouca quantidade: uma colher de sopa por adulto por dia, segundo a PDSA (o Merck fala em cerca de duas). Prefira a de grãos uniformes, à base de capim. O Merck explica que as rações com alfafa têm mais cálcio e servem para filhotes e gestantes, enquanto as de capim são melhores para adultos. Ração de coelho não serve, porque não tem vitamina C suficiente para ele.
- Água limpa o tempo todo, de preferência em bebedouro de bico, lavado e reabastecido diariamente. O Merck pede evitar água destilada ou com muitos minerais.
Retire as verduras que sobrarem depois de algumas horas, para não estragarem. E qualquer mudança de alimento deve ser gradual, ao longo de duas a quatro semanas, como orienta a PDSA, porque uma troca brusca pode fazê-lo parar de comer.
| Frequência | Exemplos (RSPCA, PDSA, Merck, VCA) |
|---|---|
| Todo dia | feno à vontade; alface romana ou crespa (verde ou roxa), pimentão, pepino, salsão, folhas de cenoura, coentro |
| Algumas vezes por semana | brócolis, couve, espinafre e salsinha (mais ricos em cálcio) |
| Petisco ocasional, em pedaços pequenos | cenoura, maçã sem sementes, pera, morango, banana, kiwi, melão |
| Nunca | alface americana, batata e a casca dela, cebola, alho, cebolinha, cogumelos, folhas e ramas do tomateiro, abacate, ruibarbo, coco, grama de cortador, ração em mistura colorida tipo muesli |
Folhas ricas em cálcio, em excesso, podem favorecer pedras na bexiga, alerta o Merck Veterinary Manual. Já o abacate entra no “nunca” por causa da persina: o Merck Veterinary Manual lista porquinhos-da-índia, coelhos e aves entre as espécies sensíveis a essa toxina, enquanto os cães parecem relativamente resistentes, como explicamos no texto sobre cachorro pode comer abacate.
Vitamina C: o cuidado que não pode faltar
Como nós, humanos, o porquinho-da-índia não fabrica vitamina C. Ela precisa vir da comida, todos os dias. O Merck Veterinary Manual estima a necessidade em pelo menos 10 mg por quilo de peso ao dia, e o triplo na gestação. “Muitos tutores não sabem disso, e o animal acaba sofrendo com escorbuto, uma doença evitável com alimentação adequada”, disse à Itatiaia, em 2025, a veterinária Ariane Prado, do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Como garantir na prática:
- Verduras ricas em vitamina C todo dia. O pimentão aparece nas listas da RSPCA, da VCA e do Merck; brócolis, couve e salsinha também entram, com moderação por causa do cálcio.
- Ração fresca. A vitamina C da ração se degrada com o tempo, o calor e a luz. A PDSA recomenda guardar em local seco, fresco e escuro e usar em até três meses depois da compra; a VCA prefere trocar em até 90 dias da data de fabricação. Confira a data na embalagem.
- Nada de vitamina na água. Merck, PDSA e VCA desaconselham: a luz enfraquece a vitamina, e o gosto pode fazer o porquinho beber menos.
- Suplemento, só com o veterinário. Se houver dúvida sobre a dieta, é ele quem avalia se é preciso suplementar e como.
Fique de olho nos sinais de falta de vitamina C descritos pelo Merck: pelo áspero, manqueira, articulações inchadas, perda de peso e de apetite, diarreia, problemas nos dentes e sangramentos. Qualquer um deles pede consulta.
Por que o porquinho-da-índia precisa de companhia
Porque ele é um animal de bando. Na natureza, segundo a RSPCA, os porquinhos vivem em grupos familiares de 5 a 10 indivíduos, e sozinhos ficam solitários. A PDSA recomenda grupos de três ou mais, e a VCA lembra que em alguns países manter um porquinho sozinho é proibido. Você é companhia importante, mas não fala “porquinhês” nem passa a noite ao lado dele.
As combinações que costumam funcionar, segundo a RSPCA:
- Duas fêmeas.
- Irmãos criados juntos.
- Um macho castrado com uma ou mais fêmeas. A castração evita a gravidez e, segundo a RSPCA, não muda o temperamento dele.
Separe os sexos cedo. A PDSA alerta que fêmeas podem engravidar a partir de três semanas de vida. Peça ao veterinário para confirmar o sexo dos filhotes. Gravidez não planejada é risco real: a VCA explica que fêmeas que não tiveram a primeira ninhada antes de cerca de 8 meses têm mais chance de parto difícil, porque os ossos da pelve se fundem.
Apresente aos poucos. A RSPCA recomenda o primeiro encontro em território neutro, novo para os dois, com supervisão. Machos adultos que não se conhecem podem brigar; se houver mordidas ou perseguição insistente, separe e peça ajuda.
Porquinho e coelho não devem morar juntos. Eles se comunicam de formas diferentes, têm dietas distintas e o coelho pode machucar o porquinho, explicam RSPCA e PDSA. A PDSA acrescenta que coelhos carregam a bactéria Bordetella bronchiseptica, que pode deixar o porquinho muito doente. Se você gosta das duas espécies, veja o guia do coelho de estimação e monte habitats separados. Cães e gatos também pedem distância: o Merck lembra que o contato com outros pets estressa o porquinho e aumenta o risco de doenças.
Como pegar o porquinho-da-índia no colo
Para uma presa, ser levantado do chão é assustador. Sempre que possível, sente no chão e deixe que ele venha até você. Quando precisar pegá-lo, siga a PDSA:
- Uma mão sob o peito e a outra sob as patas traseiras.
- Segure junto ao corpo, para ele não pular.
- Fique perto do chão, para reduzir o tombo se ele escapar.
- Nunca o vire de barriga para cima.
- Criança faz carinho e dá petisco no chão, com um adulto por perto.
Acostumar o porquinho ao contato desde cedo, com calma, ajuda muito na hora de ir ao veterinário.
Sons e comportamento: o que o porquinho-da-índia está dizendo
Quem convive com porquinho descobre rápido que ele conversa o dia inteiro. O Merck Veterinary Manual descreve guinchos, chilreios e um som de dentes que lembra um ronronar. A tabela resume os sinais mais citados por Merck, PDSA, RSPCA e VCA (inclusive no guia de boas práticas da RSPCA traduzido para o português):
| O que ele faz | O que costuma significar |
|---|---|
| Pula, gira e saltita no ar (o “popcorn”) | brincadeira e animação, sinal de bem-estar |
| Guincha alto quando você chega | alegria e expectativa |
| Fica imóvel de repente, como uma estátua | susto: estressado, ele pode ficar paralisado por até 30 minutos |
| Se esconde o tempo todo | estresse ou medo |
| Rói a grade, anda em círculos ou mordisca o bebedouro sem parar | estresse; reveja espaço, esconderijos e companhia |
| Se coça ou se lambe demais, ou tem falhas no pelo | estresse, ácaros, piolhos ou fungos: vale consulta |
| Fica encolhido, range os dentes, não quer ser tocado ou guincha alto | dor: procure o veterinário |
O popcorn é o melhor elogio que um porquinho pode fazer ao seu cuidado. E se você conseguir registrar um na câmera, guarde bem: é o retrato perfeito para eternizar seu porquinho no mural de 1 milhão de pets.
Higiene: limpeza do recinto, unhas, pelo e banho
Limpeza do recinto. Todo dia, tire a forração molhada, as sobras de comida fresca e lave potes e bebedouro. Uma vez por semana, faça uma limpeza mais completa (RSPCA e Merck). A PDSA sugere ainda, todo mês, esvaziar tudo, esfregar com produto seguro para pets e só devolver os animais com o recinto bem seco.
Dentes e unhas. A RSPCA pede conferir os dentes da frente e as unhas toda semana, porque crescem rápido. O Merck indica cortar as unhas a cada poucas semanas, sem atingir o vaso sanguíneo. Dentes tortos ou compridos, só o veterinário corrige.
Pelo. Porquinhos de pelo longo precisam de escovação diária; os de pelo curto, uma ou duas vezes por semana, segundo a PDSA.
Banho, só se for preciso. O Merck lembra que porquinho raramente precisa de banho, só quando está sujo. O veterinário ouvido pelo Diário do Nordeste orienta, nesses casos, água morna, cuidado com os ouvidos para não causar otite, produto próprio para a espécie e secagem completa.
Bumbum limpo e balança por perto. No calor, a RSPCA pede checar a região traseira duas vezes ao dia: pelo sujo de xixi ou cocô atrai moscas e pode levar à miíase, muitas vezes fatal. E não estranhe se ele comer um cocô mole direto do bumbum: são os cecotrofos, e reingeri-los é normal, explica a PDSA. Pesar o porquinho com regularidade, numa balança de cozinha, é o jeito mais simples de perceber cedo que algo mudou.
Saúde do porquinho-da-índia e quando procurar o veterinário
O Merck Veterinary Manual recomenda pelo menos uma consulta de rotina por ano com veterinário experiente na espécie. Porquinhos não precisam de vacinas. Os problemas mais comuns, segundo Merck e VCA, são:
- Dentes desalinhados, que crescem demais e machucam a boca (por genética, pouco feno ou falta de vitamina C).
- Pneumonia, uma das principais causas de morte, principalmente nos jovens.
- Pedras na urina, às quais a espécie é muito propensa; nos machos, podem obstruir a uretra.
- Escorbuto, pela falta de vitamina C.
- Ácaros e micoses de pele. A VCA lembra que a micose pode passar para pessoas: use luvas ao manusear um porquinho com lesões.
- Cistos nos ovários, comuns em fêmeas com mais de um ano.
Remédios. Nunca medique o porquinho por conta própria nem use produtos de cão ou gato. A VCA alerta que alguns antibióticos causam diarreia fatal na espécie e só devem ser usados com orientação de um veterinário que conheça porquinhos.
Sinais de emergência
Porquinhos escondem a doença e podem piorar rápido, e o tratamento precoce costuma ser decisivo, segundo o Merck Veterinary Manual. Procure um veterinário de pets não convencionais no mesmo dia se notar:
- Falta de apetite, mesmo parcial. A PDSA lembra que parar de comer é muito sério na espécie, e a VCA explica que a estase gastrointestinal, que costuma aparecer como falta de apetite, pode matar.
- Diarreia ou cocô muito menor e em menor quantidade.
- Respiração rápida, ruidosa ou com esforço, espirros e secreção nos olhos ou no nariz. Dificuldade para respirar é emergência.
- Sangue na urina, esforço para urinar ou guinchos ao fazer xixi (VCA).
- Postura encolhida, barriga estufada, ranger de dentes ou dor ao ser tocado.
- Baba, dentes compridos ou inchaço na mandíbula.
- Cabeça inclinada para um lado, que pode indicar infecção no ouvido.
- Manqueira, articulações inchadas ou pelo áspero, sinais possíveis de escorbuto.
- Perda de peso perceptível na balança.
- Prostração em dia quente, principalmente acima de 26 °C.
Não espere o dia seguinte para ver se melhora.
Erros mais comuns com porquinho-da-índia
- Ter um porquinho só.
- Gaiola pequena com fundo de grade.
- Ração de coelho ou mistura colorida de sementes no lugar da ração própria.
- Pouco feno e muita fruta.
- Confiar na vitamina C pingada na água.
- Esquecer a ração aberta por meses, perto do sol.
- Alface americana, batata ou abacate no prato.
- Juntar com coelho, ou macho e fêmea sem castração.
- Rodinha de exercício e banho frequente.
- Recinto no sol, na cozinha ou no banheiro.
- Esperar quando ele para de comer.
E um alerta que não deveria ser necessário: soltar um porquinho-da-índia na rua, num parque ou num terreno não é libertá-lo. Ele não sabe sobreviver sozinho, e maus-tratos a animais domésticos são crime previsto no artigo 32 da Lei 9.605/1998. Se não puder mais cuidar dele, procure uma ONG ou um novo lar responsável.
Um companheiro pequeno, falante e para muitos anos
Porquinho-da-índia bem cuidado é feno à vontade, pimentão no prato, um recinto amplo e fresco, um amigo da mesma espécie e um tutor atento ao apetite de cada dia. Em troca, ele oferece anos de guinchos de boas-vindas, conversas animadas e aqueles pulos de popcorn que alegram qualquer casa.
Se você está montando a família de bichos da casa, o guia de animais de estimação além de cães e gatos ajuda a pensar no conjunto. E se a sua dupla de porquinhos já é da família, ela merece um lugar especial: dá para colocar a foto e o nome deles no mural de 1 milhão de pets, onde cada quadradinho custa R$ 1 e o Brasil inteiro vê.
Perguntas frequentes
Quanto tempo vive um porquinho-da-índia?
Em geral de 5 a 8 anos, segundo o Merck Veterinary Manual. A RSPCA, entidade britânica de proteção animal, fala em 5 a 6 anos como o mais comum, e a rede veterinária VCA registra animais que chegam a 8 a 10 anos. Feno à vontade, vitamina C diária, companhia, ambiente fresco e consulta anual ajudam a mantê-lo saudável por mais tempo.
Porquinho-da-índia pode viver sozinho?
Não é o indicado. Ele é muito social e, na natureza, vive em grupos familiares de 5 a 10 animais, segundo a RSPCA. O mínimo é uma dupla, e a PDSA, entidade veterinária britânica, prefere grupos de três ou mais. As combinações mais tranquilas são duas fêmeas, irmãos criados juntos ou um macho castrado com uma ou mais fêmeas.
Porquinho-da-índia pode tomar banho?
Só quando ele estiver realmente sujo: o Merck Veterinary Manual lembra que porquinho raramente precisa de banho. Nesse caso, um veterinário ouvido pelo Diário do Nordeste orienta água morna, cuidado com os ouvidos, produto próprio para a espécie e secagem completa. No dia a dia, escovação (diária nos de pelo longo) e limpeza do recinto resolvem.
O que o porquinho-da-índia não pode comer?
Segundo PDSA e RSPCA, ficam de fora alface americana, batata e a casca dela, cebola, alho, cebolinha, cogumelos, folhas e ramas do tomateiro, abacate, ruibarbo, coco e grama de cortador, além da ração em mistura colorida tipo muesli. E o Merck Veterinary Manual lembra que ração de coelho não serve, porque não tem vitamina C suficiente para ele.
Porquinho-da-índia pode morar com coelho?
Não. A RSPCA e a PDSA desaconselham: as duas espécies se comunicam de jeitos diferentes, comem coisas diferentes e o coelho pode machucar o porquinho. A PDSA lembra ainda que coelhos carregam a bactéria Bordetella bronchiseptica, que pode deixar o porquinho muito doente.
Porquinho-da-índia morde?
Raramente, quando é manuseado com calma, segundo o Merck Veterinary Manual. Como é presa na natureza, ele se assusta quando é levantado do chão. Prefira o carinho no chão, ofereça petiscos na mão e, ao pegar, apoie o peito com uma mão e as patas traseiras com a outra.
Fontes consultadas
- Description and Physical Characteristics of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
- Unique Needs of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
- Providing a Home for a Guinea Pig (Merck Veterinary Manual)
- Diet for a Guinea Pig (Merck Veterinary Manual)
- Nutritional Problems of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
- Routine Care of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
- Common Health Problems of Guinea Pigs (Merck Veterinary Manual)
- Avocado Toxicosis in Animals (Merck Veterinary Manual)
- Keeping guinea pigs as pets (RSPCA)
- What to feed a guinea pig (RSPCA)
- Creating a good home for guinea pigs (RSPCA)
- Keeping guinea pigs together (RSPCA)
- Know your guinea pig is happy (RSPCA)
- Guinea pig health and welfare tips (RSPCA)
- Guinea pigs as pets (PDSA)
- Your guinea pig's diet (PDSA)
- The ideal home for your guinea pigs (PDSA)
- Guinea pig health (PDSA)
- Feeding Guinea Pigs (VCA Animal Hospitals)
- Owning Guinea Pigs (VCA Animal Hospitals)
- Health Problems in Guinea Pigs (VCA Animal Hospitals)
- Porquinhos-da-Índia: boas práticas de alojamento e cuidados (RSPCA, tradução em português) (Unoesc)
- Mini coelhos e porquinhos-da-índia encantam tutores, mas exigem cuidados específicos (Itatiaia)
- Porquinho-da-Índia: cuidados no manuseio, alimentação e higiene em casa (Diário do Nordeste)
- Portaria Ibama nº 93/1998, Anexo 1: listagem de fauna considerada doméstica (Ibama)
- Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) (Câmara dos Deputados)
Foto da capa: andymiccone, via Flickr (CC0 (domínio público)).