Comportamento e adestramento

Linguagem corporal do gato: o que rabo, orelhas e olhos estão dizendo

Linguagem corporal do gato: o que significam rabo, orelhas, olhos, bigodes e postura, como saber se ele está feliz, com medo ou irritado e os sinais de dor.

Publicado em 14 min de leitura

Gato cinza tigrado andando com o rabo erguido

Resposta rápida

A linguagem corporal do gato é o conjunto de sinais que ele mostra com rabo, orelhas, olhos, bigodes, pelos e postura. Rabo em pé, orelhas para a frente e piscadas lentas indicam um gato tranquilo e amistoso. Orelhas achatadas, pupilas dilatadas e corpo encolhido mostram medo. Rabo chicoteando, orelhas girando e a cabeça que vira rápido para a sua mão durante o carinho avisam que ele quer parar. Leia sempre o conjunto e o contexto, nunca um sinal isolado.

Em resumo

  • Leia o gato inteiro e dentro do contexto: um sinal isolado engana.
  • Rabo em pé, na vertical, é o cumprimento amistoso do gato; rabo chicoteando indica irritação, não alegria.
  • Orelhas achatadas com pupilas dilatadas sinalizam medo; olhos semicerrados e piscadas lentas, confiança.
  • No carinho, ponta do rabo batendo, orelhas girando e pupilas dilatando pedem uma pausa imediata.
  • Barriga para cima costuma ser confiança, não convite para carinho na barriga.
  • Orelhas viradas para fora, olhos espremidos e cabeça baixa podem indicar dor: procure o veterinário.

A linguagem corporal do gato é a forma como ele conta, com o corpo, o que está sentindo: a posição do rabo, o giro das orelhas, o tamanho das pupilas, a direção dos bigodes e a postura dizem se ele está tranquilo, curioso, com medo, irritado ou pedindo distância. A regra que resolve quase tudo é ler o conjunto, nunca um sinal isolado, e sempre dentro do contexto.

Quem vem do mundo dos cachorros costuma se confundir. O gato não faz festa na porta nem abana o rabo de alegria. Os recados dele são mais discretos e mudam rápido: uma orelha que gira, a ponta do rabo que começa a bater, uma piscada demorada. São detalhes pequenos, mas que evitam arranhões, aproximam vocês e ajudam a perceber cedo quando algo não vai bem.

A seguir: o que significa cada posição do rabo, das orelhas e dos olhos, como fazer a piscada lenta, os avisos que vêm antes de uma mordida e como reconhecer um gato com dor pelo rosto, com base na International Cat Care, na ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals), no Cornell Feline Health Center, da Universidade Cornell, e em estudos científicos.

O que é a linguagem corporal do gato e por que o contexto manda

Segundo a International Cat Care, organização britânica dedicada ao bem-estar felino, os gatos se comunicam por quatro canais: sinais visuais, toque, voz e cheiro. A linguagem corporal é o canal visual, o mais fácil de acompanhar no dia a dia. Três ideias ajudam a não errar a leitura:

  • O conjunto vale mais que a parte. Pupila dilatada pode ser medo, empolgação na brincadeira ou só um quarto escuro.
  • O contexto completa a frase. O rabo batendo na caça a uma varinha não é o mesmo rabo batendo no colo, após cinco minutos de carinho.
  • O normal do seu gato é a referência. O que pede atenção é a mudança: o gato falante que fica quieto, o sociável que passa a se esconder.

E esqueça o que você sabe sobre cães: no cachorro, rabo abanando costuma ser vontade de interagir; no gato, quase sempre é frustração ou irritação. Se você convive com as duas espécies, o guia de linguagem corporal do cachorro mostra o outro lado da casa.

O que o rabo do gato está dizendo

O rabo é o sinal mais visível e o que mais confunde. A tabela resume as posições mais comuns, segundo a International Cat Care, a VCA Animal Hospitals (rede veterinária americana), a ASPCA e o Cornell Feline Health Center:

Posição do raboO que costuma significar
Em pé, na vertical, ao se aproximarCumprimento amistoso, vontade de interagir
Em pé e solto, com a ponta levemente curvadaGato relaxado e confiante
Em pé e rígido, com o pelo eriçadoMedo ou tensão, gato se sentindo ameaçado
Eriçado como escovão, com costas arqueadas e corpo de ladoAmeaça defensiva: “não chegue perto”
Esticado, balançando devagar de um lado para o outroFrustração
Batendo com força, como um chicoteIrritação; hora de parar o que está fazendo
Só a ponta tremendo ou estalando durante o carinhoPrimeiro aviso de que o carinho está passando do ponto
Baixo e rígido, apontando para o chão, com olhar fixoPostura ofensiva, gato pronto para enfrentar
Entre as patas de trás ou enrolado bem junto a um corpo encolhidoAnsiedade ou medo

O rabo em pé é o “oi” dos gatos. A International Cat Care descreve o rabo na vertical, em ângulo reto com o chão, como sinal de intenção amistosa quando o gato se aproxima de outro gato, de outro animal ou de uma pessoa. É o rabo de quando você chega em casa, muitas vezes seguido de uma esfregada nas pernas.

Gato balançando o rabo quase nunca é alegria. Rabo esticado balançando devagar indica frustração; quando o balanço vira chicotada, a VCA coloca o gesto entre os sinais de estresse, um aviso de que o gato se irritou. Na brincadeira, o Cornell Feline Health Center descreve o rabo chicoteando junto com pupilas dilatadas como sinal de agressão de brincadeira, aquela que costuma terminar num bote na sua mão. Se ele está no colo, encerre o carinho; se está brincando, use um brinquedo e mantenha as mãos longe.

Rabo eriçado é medo. Pelo arrepiado, costas arqueadas e corpo de lado formam o gato “de Halloween”. A piloereção (o pelo em pé) serve para ele parecer maior e funciona como aviso defensivo, muitas vezes com bufadas e rosnados. Ofereça uma rota de fuga e afaste o que o assustou. O susto com objetos inesperados também explica os vídeos virais de gato com medo de pepino.

Orelhas do gato: o radar do humor

As orelhas giram na direção dos sons e mudam de posição o tempo todo, funcionando como um painel do humor:

  • Para a frente, na posição normal: gato relaxado (International Cat Care).
  • Para a frente e bem erguidas, apontando para algo: curiosidade, segundo a Cats Protection, entidade britânica de proteção aos gatos.
  • Eretas e giradas para fora, com pupilas pequenas: frustração (International Cat Care).
  • Achatadas, as “orelhas de avião”: estresse e desconforto (VCA).
  • Achatadas contra a cabeça, com pupilas dilatadas: medo (International Cat Care).
  • Achatadas para os lados ou para trás, com o corpo agachado: postura defensiva, segundo a ASPCA: dê espaço e não tente pegar o gato.
  • Girando para a frente e para trás durante o carinho: inquietação, um dos avisos que a ASPCA descreve antes de uma mordida.

Orelhas que giram para acompanhar um barulho, com o corpo solto, são só atenção. O alarme está na orelha que achata e continua achatada.

Olhos e pupilas: o que o olhar do gato revela

A pupila também reage à luz (no escuro ela abre, no sol vira uma fenda), então desconte a iluminação antes de interpretar:

  • Olhos suaves, semicerrados, com pupila estreita: relaxamento, segundo a VCA.
  • Olhos arregalados e pupilas dilatadas: estresse, ansiedade ou medo; na brincadeira, também empolgação.
  • Pupilas contraídas com olhar fixo e direto: postura ofensiva, de acordo com a ASPCA.
  • Encarar quase sem piscar: segundo a International Cat Care, aparece em encontros hostis entre gatos.
  • Desviar o olhar ou piscar rápido: jeito de o gato ameaçado evitar o confronto.
  • Piscadas lentas e olhos meio fechados: sinais de paz, não ameaçadores.

Por isso, ao conhecer um gato, não o encare. Desviar o olhar e piscar devagar é bem mais educado na língua dele.

Piscada lenta: o “beijo de gato” tem base científica

A piscada lenta é uma sequência de meias piscadas seguida de olhos bem estreitos ou fechados por alguns instantes. Pesquisadores das universidades de Sussex e Portsmouth, no Reino Unido, testaram o gesto com gatos nas próprias casas e publicaram o estudo na revista Scientific Reports, em 2020. Quando o tutor piscava devagar, o gato estreitava os olhos com mais frequência do que sem interação. E, diante de uma pessoa desconhecida, os gatos se aproximavam mais depois da piscada lenta do que quando ela mantinha uma expressão neutra. Para os autores, o gesto pode ser uma forma de comunicação emocional positiva entre gatos e pessoas.

Quer testar? A dica da professora Karen McComb, uma das autoras, divulgada pela Universidade de Sussex, é estreitar os olhos como num sorriso relaxado e fechá-los por alguns segundos. Faça isso a uma distância confortável e espere: se o gato responder com olhos semicerrados ou vier até você, a conversa começou.

Bigodes, pelos e postura: o resto do corpo também fala

Bigodes

Os bigodes (vibrissas) são órgãos sensoriais: a VCA explica que eles vibram com o toque e com o movimento do ar e ajudam o gato a avaliar se cabe numa passagem. Também mostram o humor. Relaxados e mais próximos do rosto, indicam tranquilidade; apontados para a frente, curiosidade (Cats Protection). Esticados, abertos e para a frente num corpo tenso, sensação de ameaça (VCA). Colados ao rosto ou pressionados para baixo, medo (Cornell). E nunca corte os bigodes: a VCA alerta que isso reduz a noção de espaço do gato e o deixa confuso.

Postura do corpo

PosturaO que indica
Deitado de lado, enroscado, esticado ou sentado à vontadeRelaxado e confortável
Corpo esticado, tenso, voltado para a frente, pernas retasConfiança ofensiva, pronto para enfrentar
Agachado, cabeça e pescoço recolhidos, corpo rente ao chãoAnsiedade e medo
Costas arqueadas, pelos eriçados, de lado para a ameaçaDefesa: está assustado e avisando
Movimentos lentos e cautelososInfelicidade ou mal-estar

Barriga para cima: confiança, não convite

Rolar de costas e mostrar a barriga, o que a International Cat Care chama de rolamento social, costuma ser um cumprimento amistoso de um gato relaxado ou com vontade de brincar. A mesma entidade, porém, avisa que é melhor resistir à tentação de tocar a barriga, porque costuma terminar em machucado. O gato está dizendo “confio em você”, e não “faça carinho aqui”.

Como saber se o gato está feliz, com medo ou irritado

Juntando as peças, este é o resumo dos estados mais comuns:

EstadoRaboOrelhasOlhosCorpo
Relaxado e felizEm pé e solto, ou paradoPara a frente, na posição normalSuaves, semicerrados, piscadas lentasSolto, deitado ou esticado
CuriosoSem posição fixa, corpo soltoErguidas, apontadas para o alvoAbertos, pupila pequenaEsticado para a frente, cheirando
Brincalhão, em modo caçaBatendo de um lado para o outroPara a frente, atentasPupilas dilatadas, olhar fixo no brinquedoAgachado, pronto para o bote
Frustrado ou irritadoBalançando, depois chicoteandoEretas e giradas para fora, ou para trásPupilas estreitasTenso e inquieto
Com medoEntre as patas ou colado ao corpoAchatadas contra a cabeçaArregalados, pupilas dilatadasEncolhido, rente ao chão, tentando fugir
Ameaçando para se defenderEriçado como escovãoAchatadasPupilas dilatadasCostas arqueadas, de lado, bufando

Erros comuns na leitura do gato

  1. Achar que rabo abanando é alegria. No gato, quase sempre é o contrário.
  2. Confundir barriga para cima com pedido de carinho. É confiança, não convite.
  3. Achar que ronronar é sempre felicidade. Gatos também ronronam estressados ou com dor, como explicamos em por que o gato ronrona.
  4. Encarar o gato para fazer amizade. Olhar fixo é desafio na língua felina.
  5. Brigar com o gato que bufa. Bufar é um aviso: respeite e dê espaço, porque a bronca só aumenta o medo.
  6. Ignorar uma mudança de comportamento. Um gato que fica arisco de repente pode estar com dor.

Sinais de carinho: cabeçada, trilado e miado

Os gatos têm um repertório próprio de afeto:

  • Cabeçada e esfregar as bochechas. A International Cat Care explica que a pele é rica em glândulas de cheiro sob o queixo, nas laterais da boca, nas bochechas, nas laterais da testa e na base do rabo. Ao se esfregar nas suas pernas, o gato faz o mesmo cumprimento que faria com um gato do grupo dele.
  • Trilado. O som curto e vibrante, entre o miado e o ronronar, é um cumprimento amistoso, segundo a mesma entidade.
  • Miado para você. Na maioria das situações, o miado é dirigido às pessoas, e não a outros gatos.
  • Amassar pãozinho. O gesto de filhote que aparece no colo de quem ele confia, explicado em por que o gato amassa pãozinho.
  • Marcar a casa com cheiro. As patas também têm glândulas de cheiro, e arranhar deixa essa marca no território que ele considera seguro, a mesma lógica do gato arranhando o sofá.

Onde fazer carinho (e onde evitar)

Deixe o gato conduzir: ofereça a mão perto do rosto e veja se ele vem se esfregar, o que costuma acontecer pelas bochechas e pela lateral da cabeça. Já a região perto do rabo pede cautela. Um estudo liderado pela pesquisadora Sarah Ellis, publicado na Applied Animal Behaviour Science em 2015, encontrou as reações mais negativas ao carinho na região da base do rabo, tanto com pessoas conhecidas quanto com desconhecidas, e os autores recomendam evitar essa área. Curiosamente, os gatos reagiram pior à pessoa conhecida: intimidade não é passe livre.

Os avisos antes do arranhão ou da mordida

Quase todo tutor já viveu a cena: o gato pede colo, ronrona e, de repente, morde. A ASPCA chama isso de agressão induzida por carinho, e o Cornell Feline Health Center sugere que pode ser superestimulação e uma tentativa do gato de controlar quando o carinho termina. A boa notícia é que quase sempre há aviso. Segundo a ASPCA, os sinais que vêm antes são:

  • virar a cabeça rapidamente na direção da sua mão;
  • ponta do rabo tremendo ou estalando;
  • orelhas achatando ou girando para a frente e para trás;
  • inquietação, mudando de posição no colo;
  • pupilas dilatando.

O que fazer: pare o carinho ao primeiro sinal, sem puxar a mão de forma brusca, e deixe o gato descer quando quiser. Sessões curtas, terminando antes do limite, funcionam melhor do que insistir. E nunca use as mãos como brinquedo: varinhas e bolinhas mantêm unhas e dentes longe da sua pele.

Agressão redirecionada: o gato que viu outro gato na janela

O Cornell Feline Health Center explica que a agressão redirecionada acontece quando o gato fica muito agitado com algo a que não pode reagir diretamente, como um barulho alto ou um gato de rua visto pela janela. Em apartamento com tela, a cena é comum: pelos eriçados, rabo batendo e olhar fixo no muro. A ASPCA considera esse provavelmente o tipo mais perigoso de agressão felina, porque o ataque a quem está perto pode vir sem freio e até bem depois do susto. Não tente pegar o gato nesse estado: feche a cortina, saia do caminho e espere ele se acalmar.

A mesma leitura ajuda quando chega outro animal em casa. O passo a passo de como fazer cachorro e gato se darem bem mostra quando avançar e quando dar uma pausa.

Quando a linguagem corporal indica dor: procure o veterinário

Gatos disfarçam bem o desconforto, e o rosto costuma entregar antes do resto. A Escala de Caretas Felina (Feline Grimace Scale), desenvolvida na Universidade de Montreal, no Canadá, e validada em estudo publicado na Scientific Reports em 2019, avalia cinco pontos do rosto. No gato com dor evidente:

  1. Orelhas afastadas e viradas para fora.
  2. Olhos espremidos.
  3. Focinho tenso, com formato mais oval.
  4. Bigodes retos, apontando para a frente.
  5. Cabeça abaixo da linha dos ombros ou voltada para baixo.

Cada ponto recebe nota de 0 a 2, e a ferramenta foi pensada para veterinários e também para tutores. Ela serve para levantar a suspeita: quem confirma a dor e decide o tratamento é o veterinário. Nunca medique o gato por conta própria, porque vários remédios de uso humano são perigosos para eles.

Procure o veterinário quando:

  • a “carinha de dor” aparece, mesmo que ele ainda esteja comendo;
  • o gato carinhoso passa a bufar, morder ou fugir quando é tocado em certa região. O Cornell Feline Health Center lembra que hipertireoidismo, artrose, problemas dentários e doenças neurológicas podem causar agressividade, e a ASPCA recomenda avaliação médica para todo gato agressivo;
  • ele se esconde por longos períodos, para de subir em lugares altos ou deixa de se limpar;
  • passa a fazer xixi ou cocô fora da caixa de areia;
  • fica encolhido num canto, de cabeça baixa e olhos semicerrados, sem interesse por nada.

Se a mudança vier junto com falta de apetite, vômitos repetidos, dificuldade para respirar ou para urinar, procure atendimento no mesmo dia. Para conhecer os outros sinais, veja o guia como saber se o cachorro ou o gato está com dor.

Um idioma que se aprende convivendo

Ler a linguagem corporal do gato é questão de prática: observe rabo, orelhas e olhos juntos, compare com o jeito normal dele e respeite os pedidos de espaço. Logo você vai reconhecer o rabo em pé de boas-vindas, a piscada lenta do fim da tarde e a ponta do rabo que avisa “chega de carinho”, e vai perceber mais cedo quando algo não vai bem. Se quiser continuar aprendendo, as curiosidades sobre gatos trazem outros hábitos que só eles têm.

E aquela foto dele vindo te receber de rabo em pé, ou flagrado no meio de uma piscada lenta? Ela merece ser vista. Que tal eternizar o seu gato no mural de 1 milhão de pets, com foto, nome e um link opcional, e mostrar pro Brasil inteiro quem manda na casa?

Perguntas frequentes

Gato abanando o rabo está feliz?

Quase nunca no sentido do cachorro. No gato, o rabo esticado que balança de um lado para o outro costuma indicar frustração ou irritação, e na brincadeira aparece junto com a empolgação da caça. Se o movimento fica rápido e forte, como um chicote, pare o carinho ou a brincadeira e dê espaço. O sinal amistoso do gato é o rabo em pé, na vertical.

O que significa quando o gato pisca devagar para mim?

É um sinal de relaxamento e confiança, apelidado de beijo de gato. Um estudo das universidades de Sussex e Portsmouth, publicado na Scientific Reports em 2020, mostrou que os gatos respondem à piscada lenta humana estreitando os olhos e se aproximam mais de quem pisca devagar para eles. Para responder, estreite os olhos como num sorriso relaxado e feche-os por alguns segundos.

Por que o gato mostra a barriga e depois morde?

Porque mostrar a barriga é, em geral, sinal de confiança ou convite para brincar, e não um pedido de carinho ali. A International Cat Care alerta que tocar a barriga costuma terminar em machucado. Prefira fazer carinho no rosto e na lateral da cabeça e deixe a barriga em paz.

O que quer dizer gato com as orelhas para trás?

Orelhas achatadas, para os lados ou para trás (as chamadas orelhas de avião) indicam estresse, medo ou irritação. Com pupilas dilatadas e corpo encolhido, é medo; com corpo tenso e rabo chicoteando, é um aviso de que ele pode se defender. Dê espaço e não tente pegar o gato nesse momento.

Por que meu gato morde do nada quando estou fazendo carinho?

Quase sempre não é do nada. Muitos gatos ficam superestimulados e avisam antes: viram a cabeça rápido para a sua mão, mexem a ponta do rabo, giram as orelhas e dilatam as pupilas. Faça sessões curtas, pare ao primeiro sinal e evite a base do rabo. Se a irritação ao toque for nova, leve ao veterinário, porque dor também causa esse comportamento.

Como saber pela cara se o gato está com dor?

A Escala de Caretas Felina, da Universidade de Montreal, avalia cinco pontos do rosto: orelhas afastadas e viradas para fora, olhos espremidos, focinho tenso e mais oval, bigodes retos apontando para a frente e cabeça abaixo da linha dos ombros. Se notar esse conjunto, procure o veterinário e não medique por conta própria.

Fontes consultadas

  1. Cat communication (International Cat Care)
  2. Why do cats..? (International Cat Care)
  3. Aggression in Cats (ASPCA)
  4. Feline Behavior Problems: Aggression (Cornell Feline Health Center (Cornell University College of Veterinary Medicine))
  5. How To Read Your Kitten's Body Language (VCA Animal Hospitals)
  6. Why Do Cats Have Whiskers? (VCA Animal Hospitals)
  7. Cat body language (Cats Protection)
  8. The role of cat eye narrowing movements in cat-human communication (Humphrey e colegas, 2020) (Scientific Reports, via PubMed Central)
  9. Feline friendly? How to build rap-paw with your cat (ScienceDaily (University of Sussex))
  10. Feline Grimace Scale: science and research (Université de Montréal)
  11. Facial expressions of pain in cats: the development and validation of a Feline Grimace Scale (Evangelista e colegas, 2019) (Scientific Reports, via PubMed Central)
  12. The influence of body region, handler familiarity and order of region handled on the domestic cat's response to being stroked (Ellis e colegas, 2015) (Applied Animal Behaviour Science, via AGRIS (FAO))

Foto da capa: mnsc, via Flickr (CC0 (domínio público)).